O Reino Unido vai introduzir uma das proibições “mais rigorosas do mundo” sobre as vendas de marfim para proteger os elefantes africanos.

Elefante

O Reino Unido anunciou que vai introduzir uma das proibições “mais rigorosas do mundo” sobre as vendas de marfim. A medida pretende ajudar a proteger as populações de elefantes em África, onde se estima que cerca de 20 mil destes animais sejam mortos anualmente para satisfazer a procura global de marfim.

Michael Gove, secretário para o Ambiente do Governo britânico, descreveu este comércio como “hediondo”. “O marfim nunca deveria ser visto como uma mercadoria para gerar lucros ou como um símbolo de status, portanto vamos introduzir uma das proibições da venda de marfim mais rigorosas do mundo para proteger os elefantes para as gerações futuras”, disse.

A decisão, que terá de ser aprovada pelo parlamento, surge após uma consulta pública, na qual 88% dos 70 mil inquiridos se mostraram a favor da medida.

O Reino Unido é o maior exportador de marfim legal do mundo e os conservacionistas têm avisado que este comércio tem proporcionado oportunidades para o branqueamento de marfim ilegal.

“Os mercados internos legais de marfim estão intrinsecamente ligados ao comércio ilegal deste produto, que está a impulsionar a atual crise de caça furtiva”, explicou Matthew Hatchwell, diretor de conservação da Sociedade Zoológica de Londres.

Marfim esculpido

Presas transformadas "em bugigangas"

Cerca de 55 elefantes africanos são mortos diariamente por causa do seu marfim para que as suas presas sejam transformadas em esculturas e bugigangas”, afirmou Tanya Steele, diretora executiva da WWF-UK.

“Se queremos travar a caça furtiva deste animal majestoso, precisamos de uma ação à escala internacional. Esperamos que o Reino Unido continue a pressionar os países onde estão localizados os maiores mercados de marfim, a maioria dos quais se encontra na Ásia, para que também eles encerrem o seu comércio”, defendeu a ambientalista.

Embora o comércio internacional de marfim esteja proibido, em grande medida, desde 1990, muitos países têm permitido o comércio de marfim antigo, mediante algumas condições. O Reino Unido, por exemplo, proibia a venda de marfim em bruto, mas autorizava a venda de “antiguidades” – produtos feitos em marfim anteriores a 1947 – ou de produtos criados antes de 1990 que possuíssem certificados.

A nova lei proibirá o comércio da maioria dos objetos de marfim, independentemente da sua idade. Estão previstas, contudo, algumas exceções, que incluem os instrumentos musicais fabricados antes de 1975, cuja percentagem de marfim não exceda 20%, e os objetos feitos antes de 1947 com uma percentagem de marfim inferior a 10%.

As antiguidades com pelo menos 100 anos, que sejam consideradas as “mais raras e importantes do seu tipo” por especialistas, também não serão abrangidas pela proibição, assim como as atividades comerciais entre museus.

“Com quase 20 mil elefantes mortos no ano passado é vital que os países deem passos significativos como os indicados pelo governo britânico para encerrar os seus mercados e ajudar a fazer com que o comércio de marfim se torne uma coisa do passado”, disse Matthew Hatchwell.

“Hoje me dia, não passaria pela cabeça de ninguém no Reino Unido usar um casaco de pele de tigre. Graças a esta medida, dentro de alguns anos, acreditamos que o mesmo será verdade para o comércio de marfim.”

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.