Investigadores quiseram saber quão duradouro tinha sido o impacto da desflorestação de áreas da Amazónia há mais de 500 anos.



Há mais de 500 anos, os seres humanos desflorestaram áreas da Amazónia para criar espaço para a agricultura e permitir às aldeias prosperar. Investigadores da Universidade de New Hampshire quiseram saber com maior precisão onde teriam sido estes locais desflorestados e quão duradouro teria sido o seu impacto na floresta tropical.

“Um dos grandes mistérios nesta região é o facto de ninguém saber quantas pessoas viviam na Amazónia antes do contacto com os europeus”, disse Michael Palace, professor associado da Universidade de New Hampshire.

“Quando os europeus chegaram, as populações indígenas foram devastadas devido às doenças, à escravatura e ao deslocamento, por isso costuma ser difícil determinar a duração do impacto. É importante compreender a resiliência ou fragilidade destas florestas em relação a perturbações antropogénicas, de forma a possibilitar um planeamento apropriado do uso dos recursos naturais.”

Um dos pouco indicadores destas povoações humanas é a “terra preta” – um tipo de solo escuro de origem antrópica, enriquecido por materiais deixados para trás por estas sociedades, como restos de cerâmica, carvão e outros artefactos.

Utilizando imagens de satélite da NASA e modelação geoespacial, os investigadores descobriram que a biomassa (essencialmente, o peso da matéria viva), a altura das árvores e o coberto florestal eram inferiores nos locais da terra preta amazónica (TPA), quando comparados com os locais adjacentes. Para além disso, os locais de TPA também eram mais suscetíveis à seca.

Os povos indígenas terão usado fogo para limpar o terreno, por isso os locais de terra preta podem ter sido pré-selecionados graças à sua propensão à ocorrência de secas ou à intensidade das estações secas.

Os investigadores também notaram diferenças nas propriedades espetrais entre os sítios de terra preta e os restantes, provavelmente causadas pela estrutura da floresta e espécies arbóreas, o que indica que as florestas remanescentes continuam a evidenciar os impactos dos padrões de antigos assentamentos humanos.
Foto: Brazilian things


Mapa desenvolvido utilizando imagens de satélite e modelação espacial, que mostra
o passado impacto humano na floresta amazónica. Imagem: Michael Palace / UNH

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