A cadeia britânica de supermercados Iceland comprometeu-se a eliminar as embalagens de plástico e o óleo de palma dos produtos da sua marca.



A cadeia britânica de supermercados Iceland comprometeu-se a eliminar as embalagens de plástico e o óleo de palma dos produtos da sua marca. Estas medidas são a resposta da empresa à poluição por plásticos que ameaça os oceanos e à destruição das florestas tropicais no sudeste asiático.

“O mundo apercebeu-se do flagelo dos plásticos. Despejamos nos nossos oceanos o equivalente a um camião de lixo [cheio de plástico] a cada minuto, causando danos incalculáveis ao meio marinho e, em última análise, à humanidade – uma vez que todos dependemos dos oceanos para sobreviver”, disse Richard Walker, diretor-geral da Iceland.

“O óleo de palma de fontes sustentáveis certificadas não limita atualmente a desflorestação nem a expansão das plantações de palmeiras”, explicou. “Até a Iceland conseguir garantir que o óleo de palma não está a causar a destruição das florestas tropicais, vamos simplesmente dizer não a este produto.”

A cadeia de supermercados – que se especializa em comida congelada – vai reformular os produtos da sua marca de forma a remover este ingrediente controverso até ao fim de 2018, reduzindo assim a sua procura em mais de 500 toneladas por ano. As embalagens de plástico serão removidas num prazo de cinco anos.


Foto: Caroline Power

Richard Walker, que visitou a ilha de Bornéu, no ano passado, para ver o impacto da desflorestação, disse que a remoção do óleo de palma aumentaria os custos, mas que isto não se refletiria no preço para o consumidor. “Haverá um custo extra, mas achamos que é a coisa certa a fazer.”

A Iceland está consistentemente a traçar o caminho que todos os supermercados deveriam estar a seguir”, disse Samantha Harding, da Campanha para Proteger a Inglaterra Rural. “Paralelamente ao seu apoio a uma tara recuperável, o compromisso da Iceland para se livrar de plásticos até 2023 mostra que os retalhistas podem tomar medidas decisivas para oferecer o que os seus clientes querem, sem que o ambiente tenha de pagar por isso”.

Sabe qual é o problema do óleo de palma?

Este ingrediente barato e versátil é usado em cerca de metade dos produtos nos nossos supermercados. Podemos encontrá-lo em bolachas, batatas fritas, cereais de pequeno-almoço, chocolate, sabonete, detergente, champô e até nos biocombustíveis.



Na Indonésia e na Malásia, a expansão das plantações de óleo de palma é uma das principais causas de desflorestação. Só na Indonésia, estima-se que se perca uma superfície de floresta tropical equivalente a 146 campos de futebol por hora.

Isto está a colocar em risco espécies ameaçadas, como os orangotangos. A ilha do Bornéu perdeu cerca de metade da sua população de orangotangos entre 1999 e 2015.

Para além do problema da destruição das florestas nativas, várias investigações têm trazido à luz as condições nas plantações de palmeiras indonésias, onde as violações dos direitos dos trabalhadores – que incluem trabalho infantil e forçado, assim como o tráfico de trabalhadores migrantes – são frequentes.

1ª foto: Rept0n1x

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.