Uma cidade que abrace modelos de mobilidade partilhada será uma cidade onde as pessoas passam menos tempo presas no trânsito.



O carpooling consiste em partilhar um veículo próprio e as despesas entre vários passageiros que vão para o mesmo destino ou que costumam realizar o mesmo trajeto.

O carsharing é um modelo de aluguer de veículos em que o cliente aluga o carro ou mota pela quantidade de horas ou minutos utilizados.
Ambos os serviços utilizam plataformas digitais que ligam a procura e a oferta de boleias ou veículos.

Um estudo do Observador Cetelem Automóvel 2018 revelou que três em cada quatro europeus elegem o carpool (boleia) e o carsharing (partilha do carro) como uma realidade num horizonte temporal de uma década, imaginando um futuro em que o automóvel passará a ser também um serviço.

Segundo o diretor da área automóvel do Cetelem, Pedro Nuno Ferreira, “um dos pontos mais interessantes deste estudo prende-se com a perceção dos automobilistas em relação ao futuro do automóvel, cada vez menos um objeto de posse e mais de partilha. É uma tendência que resulta de uma crescente preocupação com a sustentabilidade ambiental, sobretudo pelas gerações mais novas, e que poderá resultar num novo paradigma. Este é, no entanto, um cenário que teremos de acompanhar, nomeadamente o seu desenvolvimento e os impactos que terá, por exemplo, na compra de veículos elétricos”.

Segundo dados da plataforma Car2go, lançada pela Mercedes, um carro partilhado é até seis vezes mais utilizado do que um automóvel privado.
O carsharing e o carpooling são uma solução para os problemas de trânsito, de falta de espaço nas cidades e para a poluição. Estas preocupações estão a entrar na agenda dos fabricantes de automóveis que começam a lançar plataformas e serviços de partilha de carros por todo o mundo.

Em Portugal

A DriveNow é uma empresa de carsharing que opera com veículos da BMW e Mini e que é representada, em Portugal, pela Brisa.
Em apenas quatro meses desde o seu lançamento em Lisboa, em setembro do ano passado, já realizou 50 mil viagens. Tem uma frota de 211 carros e abrange uma área em Lisboa que vai desde a estação de comboios de Algés até ao Parque das Nações, passando pela Segunda Circular até ao Lumiar e ao aeroporto. Funciona num sistema de free floating, ou seja, os utilizadores requisitam a viatura, para se deslocarem, por exemplo, a Cascais e regressarem, deixando-a depois em qualquer lugar dentro da área de atuação da empresa.
Os utilizadores subscrevem o serviço através de uma app e recebem um código para ter acesso a um veículo. A utilização é paga ao minuto: 0,29€/minuto para um Mini e 0,31€/minuto para um BMW. Os preços já incluem combustível, estacionamento (em qualquer lugar, com ou sem parquímetro) e seguro.

Já existem outras empresas de partilha de carros e motas, em Lisboa, como por exemplo, a Citydrive, a 24/7 City e a eCooltra.

Em Portugal, existem serviços de carpooling, como o Boleia.net e o BlaBlaCar que permitem às pessoas que realizam um trajeto semelhante partilhar os gastos da viagem sem obterem lucro. A BlaBlaCar recomenda um valor por passageiro e viagem de 0,05 euros por quilómetro. A Via Verde oferece também um serviço de carpooling, o site boleias.viaverde.pt e a app Via Verde Boleias.
Guimarães criou a primeira plataforma municipal de partilha de carro em Portugal, a "Guimarães à Boleia", para ajudar nas deslocações dentro do concelho.

Em Espanha

Recentemente, a espanhola SEAT anunciou a aquisição da Respiro, uma startup de aluguer de automóveis à hora, entrando assim também no sector do carsharing. A Respiro, criada em 2010, conta com uma frota mista de 200 automóveis elétricos, híbridos, GNC (gás natural comprimido), GPL e de baixas emissões.

A “Respiro é um projeto baseado num modelo de negócio com potencial para a companhia e permite-nos prosseguir no nosso compromisso de encontrar e desenvolver soluções sustentáveis e eficientes para a mobilidade do futuro. Esta aquisição é um primeiro passo da nossa aposta na compra e participação em projectos do futuro que consideramos marcantes das tendências dos próximos anos”, afirmou Luca de Meo, presidente da SEAT. A WiBLE, uma joint-venture com a sul-coreana Kia, deverá começar a oferecer o seu serviço de carsharing em Madrid no segundo semestre.

Segundo o CEO e cofundador da Uber “uma cidade que abrace modelos de mobilidade partilhada será uma cidade onde as pessoas passam menos tempo presas no trânsito ou à procura de um lugar para estacionar; uma cidade onde as pessoas gastam menos do seu rendimento com o carro próprio ou com deslocações diárias; uma cidade que vive e respira mais facilmente”.

Foto: DriveNow

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