A quantidade de plástico nos oceanos deverá triplicar no espaço de uma década, caso não sejam tomadas medidas preventivas.



A quantidade de plástico nos oceanos deverá triplicar no espaço de uma década, caso não sejam tomadas medidas preventivas, avisou um novo relatório do Gabinete de Ciência do governo britânico.

Para além dos resíduos plásticos, o relatório também salientou outros tipos de poluentes que afetam os oceanos, incluindo os compostos farmacêuticos nas águas residuais, os pesticidas e fertilizantes provenientes das explorações agrícolas e as toxinas industriais.

Os autores do relatório mostraram-se preocupados com o facto de os oceanos estarem “longe da vista, longe do coração”, argumentando que ainda se sabe pouco sobre o fundo do mar.

“É esta sensação de que existe um mundo inexplorado no nosso próprio planeta”, disse o professor Edward Hill, um dos autores do estudo e diretor executivo do Centro Nacional de Oceanografia. “Sabemos menos sobre o fundo do mar do que sobre a Lua ou Marte. Mas não há vida na Lua ou em Marte e há organismos a viver no oceano que são de importância vital para nós.” O professor sugeriu que o mundo precisa de uma “Missão ao Planeta Oceano”.


Foto: Jedimentat44/Flickr

O relatório avisa que os impactos dos plásticos no mar ainda não são totalmente conhecidos, mas que estes resíduos poderão estar a propiciar a propagação de bactérias como a E.coli.

A poluição por resíduos plásticos no mar tem um impacto devastador na biodiversidade marinha. “Há provas abundantes de que o enredamento e a ingestão de plásticos podem causar ferimentos ou matar uma grande variedade de organismos marinhos”, escreveram os cientistas no relatório. “O plástico não se decompõe. Em vez disso, fragmenta-se e dá origem a peças cada vez mais pequenas.”

“A poluição marinha também pode ter efeitos diretos na saúde humana. O consumo de peixe e marisco poderá levar à ingestão de químicos perigosos que se acumularam ao longo da cadeia alimentar.”


Foto: Caroline Power Photography

Os esforços para reduzir a poluição por plástico devem incidir na prevenção da sua entrada no mar, na introdução de novos plásticos biodegradáveis e nas campanhas de sensibilização para a proteção marinha, defendem os autores do trabalho.

Ian Boyd, conselheiro científico do Ministério do Ambiente do governo britânico e outro dos autores do relatório, disse à BBC News que “existe um processo contínuo de procura de coisas novas que possam ser exploradas nos oceanos e isso está a acontecer a um ritmo mais rápido do que os cientistas conseguem acompanhar”.

Segundo os autores, os parques eólicos offshore, as indústrias petrolíferas e as empresas de exploração mineira estão a expandir-se para zonas inexploradas. “Os cientistas precisam de chegar lá antes das empresas ou, pelo menos, ao mesmo tempo, de forma a criarem normas adequadas de regulação para reger essas indústrias”, disse Ian Boyd.
1ª foto: Caroline Power Photography

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.