“Estamos agora a falar de uma dúzia de vaquitas restantes no Mar de Cortez”, relatou Andrea Crosta, cofundador de um grupo de monitorização da vida selvagem.

vaquita marinha

O Comité Internacional para a Recuperação da Vaquita informou, em 2017, que já só existiam 30 vaquitas marinhas no Alto Golfo da Califórnia, o único habitat conhecido da espécie.

Segundo Andrea Crosta, cofundador do grupo de monitorização do comércio internacional de vida selvagem Elephant Action League, este número já não reflete a realidade.

As minhas fontes atuais confirmaram que estamos agora a falar de uma dúzia de vaquitas restantes no Mar de Cortez”, disse numa entrevista para o site Mongabay.

“Esta informação provém de muitas fontes”, explicou. “Durante a nossa investigação de campo, estive com a minha equipa a bordo de uma embarcação da Sea Shepherd, durante alguns dias, e eles ouviram números semelhantes.”

A Elephant Action League e a Sea Shepherd são, atualmente, as únicas organizações com uma presença constante na Baixa Califórnia para monitorizar a situação.


Andrea Crosta (à esquerda) a bordo de uma embarcação da Sea Shepherd | Foto: Elephant Action League

O que está a levar estes pequenos cetáceos à extinção?

A principal causa é a utilização de redes de emalhar no seu habitat para a pesca ilegal do peixe totoaba, outra espécie criticamente ameaçada, cuja bexiga-natatória é muito procurada e vendida a preços exorbitantes na China. Estas redes acabam por capturar vaquitas, resultando na sua morte por afogamento, já que, como todos os cetáceos, elas precisam de vir à superfície respirar.

Andrea Crosta questionou a motivação da população local para travar a pesca ilegal de totoaba, principalmente “em San Felipe e Santa Clara, as duas principais aldeias de onde provêm os pescadores ilegais”.

“Eu acho que eles até estão à espera que a vaquita fique extinta para que possam pescar mais e com menos restrições”, disse.

Os esforços do governo mexicano, que incluem a proibição das redes de emalhar no Golfo da Califórnia, “estão a ter resultados muito fracos”, afirmou o ativista.


Vaquita capturada numa rede de emalhar juntamente com um peixe totoaba, no México | Foto: Omar Vidal /NOAA

“Pessoalmente, vi dúzias de embarcações ilegais de pesca (pangas) a saírem para o mar, durante o dia, mesmo em áreas patrulhadas pela Marinha mexicana. Durante a noite, ainda é pior.”

“O mercado para a bexiga-natatória de totoaba ainda é forte, e os comerciantes chineses, incluindo os que vivem no México, ainda compram muito deste produto aos cartéis mexicanos de totoaba e introduzem-no clandestinamente na China”, disse Andrea, salientando ainda o papel de Hong Kong neste comércio ilegal.

No ano passado, o governo mexicano tentou proteger as últimas vaquitas, capturando-as e transferindo-as para um refúgio. Este programa acabou por ser cancelado após a morte de um dos primeiros exemplares capturados. Relativamente a uma eventual futura tentativa de captura, o ativista comentou: “Não acho que vá sobreviver um número viável de vaquitas, depois da próxima estação alta de pesca ilegal de totoaba, que está a começar agora”.

Para além de visitar frequentemente a Baixa Califórnia, a sua organização também está ativa na China para compreender como funciona a cadeia de fornecimento ilegal e quem são os intervenientes lá.

À derradeira pergunta sobre se ainda teria esperança para a recuperação da espécie, Andrea Crosta respondeu: “Não quero soar demasiado pessimista, mas tudo isto se tornou uma questão pessoal. Mesmo se matarem todas as vaquitas, é nosso dever para com elas contar a sua história completa, a verdade, e queremos derrubar os responsáveis, que não são, a propósito, os pescadores.”

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