Há milhares de milhões de resíduos plásticos nos recifes a infetar os corais com doenças

Há milhares de milhões de resíduos plásticos nos recifes a infetar os corais com doenças

29 de Janeiro, 2018 0

Uma equipa de cientistas examinou 120 mil corais de 159 recifes da região Ásia-Pacífico e estimou que existam agora 11 000 milhões de objetos de plástico nestes recifes. Os investigadores acreditam que o lixo plástico atrai microrganismos que podem provocar doenças nos corais.

89% dos corais contaminados com plástico que os cientistas examinaram estavam doentes. Comparativamente, apenas 4% dos corais livres de plástico se encontravam igualmente doentes.

“Por exemplo, já ficou demonstrado que artigos de plástico como os que costumam ser feitos de polipropileno – como as tampas das garrafas e as escovas de dentes – ficam fortemente colonizados por bactérias que estão associadas a um grupo de doenças que está a devastar os corais em todo o mundo”, disse Joleah Lamb, investigadora da Universidade de Cornell que liderou o estudo.

Os cientistas pensam que os fragmentos afiados de plástico podem causar lesões físicas aos corais e que os tecidos plásticos os podem cobrir, tapando a luz e o oxigénio. “Os corais são animais como eu e vocês – ficam feridos e depois infetados”, explicou Joleah Lamb, acrescentando que, uma vez que o coral fique infetado, a doença se pode espalhar por toda a colónia.

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos e esta poluição já chegou aos lugares mais remotos do planeta.


Fotos: Universidade de James Cook

Os investigadores acreditam que o problema vai piorar. Até 2025, o plástico nos recifes deverá aumentar em 40%, chegando aos 15,7 mil milhões de peças, caso não sejam tomadas medidas preventivas. O número real deverá ser ainda mais elevado, uma vez que a China e Singapura não foram incluídas na análise.

Durante os mergulhos, Joleah Lamb encontrou imensos tipos de resíduos, como cadeiras de plástico, fraldas e até uma toalha de microfibras da Nike. “Vi o logótipo branco da Nike, mesmo onde o coral estava doente, e pensei: ‘Ó céus! Isto não é nada bom’.”

Para além de serem vitais para inúmeros organismos marinhos e de serem uma maravilha do mundo natural, os recifes de coral também são essenciais para as pessoas que vivem do turismo e dos recursos destes ecossistemas.

“Existem mais de 275 milhões de pessoas que dependem da comida, proteção costeira, receitas do turismo e importância cultural dos recifes de coral. Portanto, moderar o risco de eclosão de doenças nos oceanos será vital para melhorar a saúde humana e a destes ecossistemas”, defendeu Bette Willis, professora da Universidade de James Cook.

Os recifes de coral examinados pela equipa encontravam-se na Austrália, Indonésia, Tailândia e Myanmar. Os cientistas só registaram os artigos de plástico com mais de 5 cm de comprimento, não tendo, portanto, avaliado o impacto dos microplásticos. “Existem muitos outros poluentes [como as substâncias químicas tóxicas] na água que são provavelmente tão maus como o plástico – só que não se veem”, disse Joleah Lamb.

“A mensagem final para as pessoas é que deviam pensar melhor na quantidade de plásticos descartáveis que estão a usar e onde esse plástico vai parar. Estas pequenas coisas importam”, avisou a investigadora.

Para além de ameaçar os corais, o plástico também prejudica a vida marinha que o ingere ou que fica presa nele. Os resíduos plásticos podem absorver e libertar poluentes, que se vão acumulando ao longo da cadeia alimentar. Já foi estimado que os seres humanos que comem peixe e marisco podem ingerir 11 mil pedaços de microplástico por ano.

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