Cientistas propõem 10 medidas para proteger polinizadores aos governos

Cientistas propõem 10 medidas para proteger polinizadores aos governos

13 de Dezembro, 2016 0

Abelha

Num artigo publicado na revista científica Science, uma equipa de investigadores sugeriu 10 medidas que os governos deveriam adotar para ajudar a assegurar o futuro de polinizadores como as abelhas, as borboletas e as vespas. A regulamentação de pesticidas, a aposta em sistemas agrícolas diversificados e o acompanhamento a longo prazo são algumas das medidas sugeridas.

“Três quartos das culturas alimentares mundiais tiram partido da polinização feita por animais, por isso temos de proteger os polinizadores para salvaguardar o fornecimento de alimentos nutritivos”, disse Simon Potts, coautor do artigo e professor da Universidade de Reading.

Recentemente, uma avaliação mundial levada a cabo pela IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services) confirmou que as populações dos polinizadores selvagens estão a sofrer um declínio drástico no norte da Europa e na América do Norte.

“O relatório da IPBES tornou muito claro que os polinizadores são importantes para as pessoas de todo o mundo, económica e culturalmente”, declarou Lynn Dicks, investigadora da Universidade de East Anglia que liderou o estudo publicado na Science e que também participou na avaliação da IPBES. “Os governos compreendem isto e muitos já deram passos significativos para proteger estes animais maravilhosos e importantes. Mas ainda há muito por fazer. Instamos os governos a ver as nossas propostas de ação e a considerar se podem fazer estas mudanças para apoiar e proteger os polinizadores, como parte de um futuro sustentável e saudável para a humanidade.”

“A agricultura tem um papel imenso”, explica. “Sendo que é parcialmente responsável pelo declínio de polinizadores, também pode ser parte da solução. As práticas que ajudam os polinizadores, como a gestão de paisagens de modo a que lhes providenciem comida e abrigo, devem ser incentivadas e apoiadas. Também é necessário centrar a investigação financiada pelo sector público em como melhorar a produtividade de sistemas agrícolas como a agricultura biológica, que são benéficos para os polinizadores.” A investigadora salienta ainda que melhorar as normas regulamentares dos pesticidas deveria ser uma prioridade já que existem “muitos pesticidas de uso generalizado que são inaceitavelmente tóxicos para as abelhas, pássaros e até para os seres humanos.”

As 10 políticas sugeridas pelos cientistas são:

  1. Melhorar as normas regulamentares dos pesticidas
  2. Promover a gestão integrada das pragas
  3. Incluir os efeitos indiretos e subletais nas avaliações de risco das culturas transgénicas (OGM)
  4. Controlar a circulação dos polinizadores que estão a ser seguidos
  5. Desenvolver incentivos, como regimes de seguros, para ajudar os agricultores a tirarem partido dos serviços ecossistémicos em vez dos agroquímicos
  6. Reconhecer a polinização como um insumo agrícola nos serviços de extensão rural
  7. Apoiar sistemas agrícolas diversificados
  8. Preservar e restabelecer a “infraestrutura verde” (uma rede de habitats entre os quais os polinizadores se podem deslocar) em paisagens agrícolas e urbanas
  9. Desenvolver o seguimento a longo-prazo dos polinizadores e da polinização
  10. Financiar investigações participativas sobre como melhorar a produtividade na agricultura biológica, multifuncional e com intensificação ecológica

“O mundo está a despertar para a importância de se protegerem estes polinizadores vitais”, afirmou Simon Potts. “Temos esperança que indo um passo mais além e implementando estas políticas (…), consigamos encorajar os decisores políticos a agir antes que seja tarde demais.”

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