Estudo da Universidade de Purdue descobriu que as turbinas eólicas não são só responsáveis pela morte de aves que vivem perto delas.



Afinal as turbinas eólicas não são responsáveis apenas pela morte de aves que vivem perto delas. Investigadores da Universidade de Purdue e do Serviço Geológico dos EUA descobriram que uma parte significativa das vítimas dos parques eólicos são aves que provêm de locais a centenas de quilómetros de distância dos mesmos. À escala mundial, estas instalações já causaram a morte de 140 mil a 328 mil pássaros e de 500 mil a 1,6 milhões de morcegos, o que levanta questões sobre o seu impacto na sustentabilidade das populações de animais.

Para o estudo, publicado na revista científica Conservation Biology, a equipa analisou o ADN dos tecidos e os isótopos estáveis das penas de carcaças de águias-reais encontradas no parque eólico de Altamont Pass, no norte da Califórnia – um dos maiores do mundo, com cerca de 5000 turbinas.

“As águias costumam usar esse habitat em redor das turbinas. Como lá é ventoso, elas podem poupar energia planando e as suas presas preferidas, os esquilos terrestres da Califórnia, são numerosas na zona”, explicou J. Andrew DeWoody, professor de genética da Universidade de Purdue. “Enquanto planam, estas águias costumam estar a olhar diretamente para baixo e não veem as pás das turbinas que se movem rapidamente. São atingidas pelas pás e encontram-se carcaças no solo, debaixo das turbinas.”

Com base nos isótopos de hidrogénio estáveis das penas, os cientistas conseguiram descobrir a origem das aves – onde estas se encontravam quando as suas penas se desenvolveram. Desta forma, determinaram que cerca de 75% das 62 águias analisadas eram da população local. As restantes 25% migraram provavelmente para a zona antes de serem mortas.

“Quando uma ave bebe água ou come animais de um local específico, as proporções de isótopos de hidrogénio da precipitação nessa zona ficam registadas nos seus tecidos”, informou David Nelson da Universidade de Maryland. “Podem-se usar essas proporções de hidrogénio para determinar a localização aproximada do pássaro quando se desenvolveram nele as suas penas.”



Águia-real

Para Todd Katzner, biólogo, estas descobertas sugerem que a avaliação dos impactos ambientais das centrais de energias renováveis, como a de Altamont Pass, deveria ter em consideração o facto das populações de animais afetados pelas turbinas eólicas não se limitarem às da zona.
“Se se tiver em consideração apenas as aves locais numa avaliação ambiental, não se está realmente a avaliar o efeito que essa instalação poderá ter na população inteira”, declarou.

Os geradores de energia eólica podem receber licenças que autorizam a morte acidental de um determinado número de aves, explica J. Andrew DeWoody, acrescentando que, se esse número for demasiado elevado, as empresas podem ser multadas. O facto de um considerável número dos pássaros mortos provir de estados vizinhos poderia tornar a situação mais complexa, dado que, como afirma, só o caso estudado em Altamont Pass demonstrou consequências à escala continental.



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1 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. O número baixo de pás (3 em vez de 6) é escolhido por questão de eficiência, visto serem menores as perdas por interferência entre as pás. O comprimento elevado de cada pá face à largura da mesma (a "corda") também é um valor elevado por questões de eficiência aerodinâmica. É por isso que as pás parecem asas de planadores, que precisam de ter muito maior eficiência que os aviões. Quanto à variação do ângulo da pá com a intensidade do vento, isso já é feito nas turbinas eólicas, inclusivamente as pás rodam completamente até ficarem "em bandeira" quando o vento é tão forte que poderia quebrar as pás se não estivessem completamente rodadas. Finalmente, as aves não morrem apenas por serem batidas pelas pás. Mesmo uma pá parada pode matar a ave que embater contra ela no seu voo, pelo que a solução de instalar redes de protecção iria na verdade piorar o problema, por as aves terem muito mais área onde bater.
    A sugestão de pintar as pás poderia de facto ajudar; por exemplo as pás dos aviões têm as pontas pintadas de amarelo porque as pessoas conseguem ver a área varrida pelos hélices; e já agora, a parte detrás dos hélices é pintada de preto fosco para evitar reflexos para o piloto e tornar a área varrida pelo hélice mais transparente. Em relação às aves, seria necessário estudar qual a melhor cor e até o padrão de pintura a usar, visto que pintar só as pontas possivelmente não chegará. Espero ter ajudado

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