Abelhas conseguem contar até quatro e ensinar técnicas novas ao resto da colmeia

Abelhas conseguem contar até quatro e ensinar técnicas novas ao resto da colmeia

20 de Outubro, 2016 0

zangão

Podem ter cérebros do tamanho de uma semente de sésamo, mas afinal as abelhas são bem mais espertas do que a maioria pensa.
“Sabíamos que as abelhas possuem capacidades cognitivas fantásticas, disse Clint J. Perry, biólogo da Universidade Queen Mary de Londres. “Conseguem contar até 4. Conseguem percorrer ambientes incrivelmente complexos e têm memórias e preferências relativamente a flores. [Também] demonstram emoções positivas.”

O estudo de Clint J. Perry, publicado na revista científica PLOS Biology, deu a conhecer ao mundo mais um talento destes pequenos polinizadores: conseguem aprender habilidades novas observando outras abelhas.
A equipa de investigadores fez esta descoberta depois de ter ensinado a alguns zangões uma habilidade nova, que eles não aprenderiam, normalmente, na natureza: puxar uma corda para libertar um disco, colocado debaixo de uma placa de acrílico, até chegarem ao néctar dentro do disco.

Esta aptidão foi ensinada através de um processo de 4 etapas, com direito a pausas para dormir, e a maioria das abelhas demorou, em média, 5 horas a aprendê-la.

Este diagrama mostra como as abelhas aprenderam a habilidade através de tarefas progressivamente mais difíceis e o tempo que demoraram a alcançar o açúcar em cada etapa. Fonte: PLOS Biology

Os pequenos insetos não só conseguiram dominar esta técnica complicada, como também foram capazes de passar este conhecimento ao resto da colmeia, conta o Motherboard.

Os investigadores colocaram uma abelha “observadora” numa pequena divisão perto de um zangão treinado, para que ela o visse a realizar a tarefa diversas vezes. Ao fim de observarem a tarefa ser repetida 10 vezes, as abelhas “estudantes” foram libertadas e 60% delas conseguiram resolver o quebra-cabeças em 5 minutos.

O conhecimento também foi passado simplesmente através do convívio com as abelhas treinadas, embora, neste caso, tenha demorado mais tempo. Assim que uma abelha aprendia o truque, passava a ser, por sua vez, uma abelha instrutora, demonstrando como o fazer às que ainda não o sabiam.

O estudo mostra, deste modo, que nem sempre é necessário um cérebro grande para funções cognitivas complexas e que alguns dos comportamentos de aprendizagem que consideramos complexos são, de facto, bastante simples, podendo ser adquiridos até mesmo por pequenas abelhas.

Clint J. Perry espera que o seu trabalho prove ainda mais um ponto: que estes animais são muito mais incríveis do que as pessoas se apercebem.
“O declínio que se tem verificado, um pouco por todo o mundo, tanto de abelhas e zangões, como dos polinizadores em geral é um problema sério”, afirmou. “Uma das nossas esperanças é que as pessoas passem a ter uma perspetiva diferente em relação às abelhas e aos insetos. Eles são mais do que máquinas de comportamento rígido. Têm estas capacidades cognitivas complexas e talvez isto possa ajudar o nosso trabalho de conservação porque as pessoas os verão como indivíduos com memórias e preferências e não apenas como um incómodo.”

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