Os microplásticos nos oceanos são uma “grande ameaça” para os gigantes dos oceanos, concluiu um novo estudo.



Os microplásticos nos oceanos são uma “grande ameaça” para as baleias, alguns tubarões e outros animais filtradores como as raias, concluiu um novo estudo publicado na revista científica Trends in Ecology & Evolution.

Espécies marinhas como a baleia-comum, o tubarão-frade e o tubarão-baleia filtram a água do mar para capturar o plâncton e os pequenos peixes de que se alimentam. Alguns destes animais engolem centenas ou mesmo milhares de metros cúbicos de água diariamente para se alimentarem. No processo, também estão a ingerir os microplásticos presentes no mar.

Os investigadores acreditam que estas partículas indigeríveis podem bloquear a absorção de nutrientes, causar danos nos aparelhos digestivos dos animais e outros problemas decorrentes da exposição às toxinas associadas aos plásticos.

“Os nossos estudos sobre os tubarões-baleia no Mar de Cortez e as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo confirmaram a exposição a químicos tóxicos, o que indica que estes animais estão a ingerir microplásticos nos seus locais de alimentação", declarou Maria Cristina Fossi, professora da Universidade de Siena e coautora do estudo.

“A exposição às toxinas associadas ao plástico representa uma grande ameaça para a saúde destes animais, uma vez que pode alterar as hormonas que regulam o crescimento e desenvolvimento do corpo, assim como o metabolismo e as funções reprodutoras”, explicou a professora.

Os investigadores estimam que as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo estejam a engolir milhares de microplásticos por dia e que, na península da Baixa Califórnia, os tubarões-baleia ingiram 171 peças de plástico diariamente.


Foto: Tubarão-baleia

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro, que vão parar ao mar através, por exemplo, da lavagem de roupa de fibras sintéticas, da utilização de produtos com micropartículas de plástico, como alguns cosméticos, e da fragmentação de detritos de plástico de maior dimensão.

Muitas espécies de baleias, tubarões e raias já se encontram, atualmente, em risco de extinção, devido a ameaças como a sobrepesca e a poluição. Os autores do estudo temem que o impacto dos microplásticos os coloque ainda mais perto da extinção.

“Apesar de haver cada vez mais trabalhos de investigação sobre os microplásticos no ambiente marinho, apenas alguns estudos examinam os efeitos nos grandes animais filtradores. Ainda estamos a tentar compreender a magnitude do problema. Tornou-se claro, no entanto, que a contaminação por microplásticos tem o potencial de reduzir ainda mais os números das populações destas espécies, muitas das quais vivem muitos anos e têm poucas crias durante as suas vidas”, disse Elitza Germanov, coautora do estudo.

Os cientistas salientam a necessidade de se realizarem mais estudos para se compreenderem melhor os efeitos dos microplásticos nos gigantes dos oceanos e explicam que estes animais filtradores estão particularmente em risco de exposição por viverem em águas muito poluídas, como o Golfo do México, a região do Triângulo de Coral, o Golfo de Bengala e o Mar Mediterrâneo.
1ª foto: Elitza Germanov / Marine Megafauna Foundation

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