A adoção de combustíveis marítimos mais limpos vai resultar numa redução de 3,6% nos casos de asma infantil no mundo, concluiu um novo estudo.



Os combustíveis para os navios vão ficar mais limpos em 2020, altura em que uma norma da Organização Marítima Internacional vai exigir uma redução de cerca de 80-86% no teor de enxofre destes combustíveis.

Esta medida é a melhoria mais significativa nas normas internacionais referentes aos combustíveis para a indústria naval em 100 anos e trará com ela benefícios para a saúde igualmente relevantes à escala global.

Segundo um novo estudo, a adoção de combustíveis navais menos poluentes vai resultar numa redução de 3,6% nos casos de asma infantil no mundo.

A equipa de investigadores estudou os impactos das emissões de enxofre dos navios com os atuais combustíveis marítimos, que contribuem para a poluição atmosférica sob a forma de dióxido de enxofre e de partículas, que prejudicam a saúde humana e o ambiente.

Estima-se que aproximadamente 14 milhões de casos anuais de asma infantil estejam relacionados com a poluição gerada pelos navios. Os investigadores calcularam que a mudança para combustíveis mais limpos reduzirá em metade estes casos.

Para além da asma em crianças, também se estima que a poluição gerada pelos navios contribua para 400 mil mortes prematuras por cancro do pulmão e doenças cardiovasculares, anualmente. A redução das emissões de enxofre dos navios também evitará cerca de um terço destas mortes.



“As nossas descobertas mostram que estas normas são benéficas, mas também que ainda se podem alcançar mais benefícios para a saúde com navios menos poluentes”, disse James Winebrake, professor e diretor do Instituto de Tecnologia de Rochester, em Nova Iorque. Apesar da redução do teor de enxofre, os combustíveis navais vão continuar a contribuir para aproximadamente 250 000 mortes prematuras e 6,4 milhões de casos de asma infantil por ano.

Com a nova norma, o teor de enxofre permitido nos combustíveis para os navios diminuirá de 3,5% para 0,5%, uma redução de 35 000 partes por milhão (ppm) para 5000 ppm.

As indústrias de refinação investirão na tecnologia necessária para produzir estes combustíveis menos poluentes e o sector marítimo investirá na adaptação dos sistemas de motores para os utilizar. Estes custos serão suportados pelos consumidores, nos preços dos produtos que compram. James Corbett, professor de política e ciência marinha e autor do estudo, acredita que os benefícios para a saúde justificam o investimento.

“Estes combustíveis navais mais limpos vão ajudar as pessoas que não têm um papel económico nesta atividade e que, mesmo assim, sofrem com os efeitos da poluição gerada por ela, algumas das quais vivem em locais que nem sequer estão envolvidos no comércio, para além de ajudarem as comunidades localizadas junto a grandes vias de navegação”, declarou o professor.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.

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