O programa procura diminuir o impacto do estigma em relação ao peso e em promover comportamentos saudáveis e uma relação mais consciente com a alimentação.

Meditação

Investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra desenvolveram e testaram a eficácia de uma intervenção psicológica inovadora, baseada em três componentes – mindfulness, aceitação e autocompaixão -, para diminuir o impacto do estigma internalizado na obesidade.

É constituído por 10 sessões semanais e duas quinzenais em grupo e foca-se em diminuir o impacto do estigma em relação ao peso em mulheres com excesso de peso e obesidade e em promover comportamentos saudáveis e uma relação mais consciente com a alimentação (dando atenção aos sabores e textura dos alimentos).

O projeto envolveu a participação de centenas de adultos com excesso de peso e obesidade, na sua maioria mulheres, em tratamento para perda de peso no distrito de Coimbra, destacando-se o estudo da intervenção Kg-Free no qual participaram 60 mulheres adultas com excesso de peso ou obesidade.

Os resultados evidenciam que a «intervenção foi eficaz na promoção do bem-estar e da qualidade de vida e na diminuição de comportamentos alimentares perturbados, do estigma internalizado e do autocriticismo», contou a investigadora Lara Palmeira.
O programa Kg-Free «permitiu que as participantes desenvolvessem uma atitude mais saudável, flexível e positiva em relação ao seu peso e alimentação, promovendo uma alimentação mais consciente e saudável, bem como o desenvolvimento de uma visão do Eu mais positiva e menos crítica/hostil, focada no bem-estar e na persecução de uma vida com significado que vá para além do peso», explicitou.

As conclusões desta investigação chamam a atenção para a importância de complementar as tradicionais abordagens de combate à obesidade com uma intervenção psicológica.
É necessária «uma abordagem multidisciplinar que se foque não só na perda de peso, mas que promova diretamente o bem-estar e qualidade de vida, intervindo na diminuição do estigma e nas estratégias de regulação emocional desadaptativas», observou.

«Apesar do seu profundo impacto negativo, o estigma em relação ao peso permanece atualmente como uma das formas de estigma mais socialmente aceite », afirmou.
No seu conjunto, os resultados «apresentam importantes implicações para a intervenção psicológica na obesidade, salientando a importância de adequar as intervenções às pessoas com excesso de peso e obesidade e consciencializar os profissionais de saúde para a importância de adotar uma atitude de tolerância, aceitação e não julgamento para promover a adesão ao tratamento e melhores resultados», conclui a investigadora.



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