O governo peruano oficializou a criação de um novo parque nacional, na Amazónia, tão grande como o Parque Nacional de Yellowstone.



O governo peruano oficializou a criação de um novo e enorme parque nacional na Amazónia. O novo Parque Nacional Yaguas, na região de Loreto, protege 868 927 hectares de floresta tropical e é casa de mais de 3000 espécies de plantas, 500 espécies de aves e 160 espécies de mamíferos, para além de albergar dois terços da diversidade de peixes de água doce de todo o território peruano.

“Como um conservacionista peruano, orgulho-me de que, com a criação do Parque Nacional Yaguas, o Peru continue no caminho para criar um dos sistemas de parques mais fantásticos do mundo”, disse Enrique Ortiz, da iniciativa Andes Amazon Fund. “Este parque é tão grande como o Parque Nacional de Yellowstone e, provavelmente, 10 vezes mais rico em biodiversidade.”

Segundo uma série de avaliações realizadas ao longo do processo de declaração do parque nacional, o governo peruano poderá vir a obter um ganho de cerca de 23 milhões de sóis (5,8 milhões de euros), num período de 20 anos, graças à criação do parque e aos benefícios que a conservação da sua biodiversidade trará às comunidades em seu redor.

"Não só preservaremos um santuário natural que alberga espécies únicas no mundo, como também geraremos oportunidades para as famílias indígenas", escreveu a primeira-ministra peruana, Mercedez Aráoz, no Twitter.


Foto: Alvaro del Campo / The Field Museum

Há 30 anos que as comunidades indígenas que vivem em redor do Yaguas solicitam a conversão desta parte da Amazónia num parque nacional, para assegurar a proteção de toda a biodiversidade e de um território que consideram sagrado.

“Com a criação do Parque Nacional Yaguas, está-se a respeitar a nossa cultura, os nossos bosques e a nossa proposta de vida. O Yaguas representa um território sagrado, uma fonte de vida que os nossos antepassados defenderam, disse Liz Chicaje Churay, líder do povo Bora e representante da Federação de Comunidades Nativas da bacia do rio Ampiyacu, citada pelo site Mongabay Latam.

As mesmas comunidades vinham a denunciar a desflorestação e a extração mineira ilegal na reserva há pelo menos duas décadas. Fernando Alvarado, presidente da Federação de Comunidades Indígenas do Baixo Putumayo, referindo-se a estas ameaças, disse que “o governo fez justiça ao atender ao pedido dos povos para conservar esta zona sagrada, onde estão os espíritos do bosque e onde a fauna e a flora são o nosso sustento”.

Os benefícios são para todos, para o futuro de todos, para o país e para o mundo, concluiu Liz Chicaje Churay.

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