Quando o governo envolve a comunidade na preservação das florestas, as árvores não desaparecem tão rapidamente, concluiu um estudo.



Quando o governo envolve a comunidade na preservação das florestas, as árvores não desaparecem tão rapidamente. Um estudo da Universidade do Estado de Ohio revelou que as concessões florestais comunitárias estabelecidas na Guatemala reduzem a desflorestação nas florestas tropicais do país.

“A nível global, existe um intenso debate sobre como preservar as florestas tropicais e este trabalho mostra que estas políticas abrandam a desflorestação agressiva que prejudica o ambiente”, disse Brent Sohngen, coautor do estudo e professor de economia agrária, ambiental e de desenvolvimento da Universidade do Estado de Ohio.

“A maioria das zonas protegidas pelo governo são-no apenas no nome, por isso é importante descobrirem-se novas formas de abrandar a desflorestação”, defendeu.

Os investigadores examinaram as concessões comunitárias na Reserva da Biosfera Maia, no norte da Guatemala. Em alguns casos, o governo atribuiu direitos de propriedade e gestão das florestas a residentes de longa duração. Noutros, atribuiu-os a pessoas que se tinham estabelecido há pouco tempo ou a pessoas que viviam a uma certa distância, numa zona metropolitana maior.

O que acontece é que se atribuem direitos de propriedade a grupos de pessoas – desde 30 residentes a centenas de pessoas – e eles organizam-se e gerem a terra, explicou o professor.

A equipa estimou o impacto da gestão comunitária na desflorestação, comparando a perda de árvores nas áreas geridas e nas não geridas, e descobriu que em todos os casos os programas abrandaram o abate de árvores na floresta tropical.

O maior impacto foi uma redução de quase 8% relativamente às áreas não geridas semelhantes. O menor impacto – uma redução de 4,3% – foi verificado em áreas onde as terras eram geridas por cidadãos não-residentes.

“As implicações a nível mundial do estudo são imensas”, disse Douglas Southgate, coautor do estudo. “Existem milhões e milhões de hectares de florestas tropicais – muito mais do que alguma vez serão protegidos como parques e reservas e quase toda esta terra está habitada. Este estudo sugere que empoderar as comunidades locais é a melhor forma de conservar os recursos em muitos lugares.”

Embora a indústria madeireira não tenha desaparecido nestas florestas, o abate rápido e indiscriminado de árvores diminuiu, ao mesmo tempo que a silvicultura sustentável aumentou. Estas medidas também levaram ao crescimento de negócios não relacionados com a madeira, como o ecoturismo.

“A desflorestação continua a acontecer – não é como se tivesse desaparecido - mas estas medidas preservam a biodiversidade, a história e a cultura”, argumentou Brent Sohngen. “Se conseguirmos preservar alguns destes espaços através de concessões, salva-los-emos por mais um dia.”

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