Durante a Assembleia Ambiental da ONU, países, empresas, grupos de sociedade civil e indivíduos comprometeram-se a lutar por um mundo sem poluição.



Durante a Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA 3) em Nairobi, no Quénia, diversos países comprometeram-se a lutar por um planeta livre de poluição, aprovando resoluções e emitindo uma declaração para prevenir, mitigar e gerir a poluição do ar, da água e do solo e, desta forma, melhorar as vidas de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.

“A ciência que vimos nesta assembleia mostra que temos feito um trabalho tão mau a cuidar do nosso planeta que temos muito pouca margem para cometer mais erros, disse Edgar Gutiérrez, ministro do Ambiente e Energia da Costa Rica e presidente da UNEA 3.

“Com as promessas aqui feitas, estamos a transmitir uma mensagem forte de que vamos dar ouvidos à ciência, mudar a forma como consumimos e produzimos, e combater a poluição em todas as suas formas no mundo”, declarou.

Durante o evento, que teve a duração de três dias, o Chile, Omã, África do Sul e Sri Lanka juntaram-se à campanha #CleanSeas da ONU. O Sri Lanka prometeu proibir os produtos descartáveis de plástico a partir de 1 de janeiro de 2018, fomentar a separação e reciclagem dos resíduos e livrar as suas costas e oceano de poluição até 2030. No total, já são 39 os países que aderiram à campanha #CleanSeas.

A Colômbia, Singapura, Bulgária, Hungria e Mongólia juntaram-se à campanha #BreatheLife, comprometendo-se a reduzir a poluição atmosférica para níveis seguros até 2030. A este compromisso, Singapura acrescentou a promessa de reforçar as suas normas relativas às emissões poluentes.


Todos os anos, despejamos mais de 8 milhões de toneladas de plástico nos nossos oceanos

A assembleia aprovou 13 resoluções não vinculativas e três decisões, que incluem medidas para combater o lixo marinho e os microplásticos, prevenir e reduzir a poluição atmosférica e do solo, acabar com o envenenamento por chumbo causado pelas tintas e baterias, proteger os ecossistemas aquáticos da poluição, entre outras.

Se todas as promessas feitas durante a reunião forem cumpridas, mais 1,49 mil milhões de pessoas respirarão ar limpo, 480 000 km (ou cerca de 30%) das zonas costeiras do mundo ficarão limpos e serão investidos milhares de milhões de euros em investigação, desenvolvimento e programas inovadores para combater a poluição.


Vídeo: Acha que é um perito a combater a poluição? Junte-se à campanha #BeatPollution

“Hoje, colocamos a luta contra a poluição no topo das agendas políticas mundiais”, disse Erik Solheim, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. “Temos uma longa batalha à nossa frente, mas a reunião mostrou que existe uma genuína apetência por mudanças positivas significativas.”

“Contudo, isto não se reduz à ONU e aos governos. O enorme apoio que temos visto por parte da sociedade civil, das empresas e dos indivíduos – com milhões de compromissos para acabar com a poluição – mostra que este é um desafio global, para o qual existe um desejo global de vencer esta batalha em conjunto.”

A campanha #BeatPollution reuniu quase 2,5 milhões de assinaturas de governos, empresas, grupos da sociedade civil e indivíduos que se comprometeram a reduzir a poluição em todas as suas formas.



A degradação ambiental causa quase uma em cada quatro mortes no mundo, ou 12,6 milhões por ano, assim como a destruição generalizada dos ecossistemas. A poluição atmosférica é o maior risco ambiental para a saúde, sendo responsável por 6,5 milhões de mortes por ano.

A exposição ao chumbo nas tintas causa danos cerebrais a 600 mil crianças anualmente. Os nossos mares já contêm 500 zonas mortas, onde o nível de oxigénio é demasiado baixo para a maioria dos organismos aquáticos. Mais de 80% das águas residuais do mundo são libertadas no ambiente sem tratamento adequado, envenenando os campos onde cultivamos a nossa comida e os lagos e os rios que fornecem água para consumo a 300 milhões de pessoas.

Os custos financeiros associados à poluição, doenças e segurança social também são substanciais, concluiu um relatório recente, que apontou para perdas anuais no valor de cerca de 4,6 biliões de dólares (cerca de 4 biliões de euros), ou mais de 6% da economia mundial.

“Tínhamos duas missões nesta assembleia", declarou Ibrahim Thiaw, subdirector do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. "Uma delas [chegar a acordo relativamente às medidas a tomar] foi concluída. Quanto à segunda, temos de a começar amanhã.”

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