Para forçar os líderes mundiais a confrontar o problema do lixo marinho, ativistas pediram à ONU o reconhecimento das Ilhas de Lixo como um país.



Para forçar os líderes mundiais a confrontar o problema do lixo marinho e sensibilizar o público para esta questão, a empresa de informação LADbible e a organização The Plastic Ocean Foundation, juntamente com os profissionais de marketing Michael Hughes e Dal Evans de Almeida, tiveram uma ideia original.

Primeiro criaram um passaporte, uma bandeira e uma moeda. Depois apresentaram às Nações Unidas uma candidatura para o reconhecimento oficial da Grande Ilha de Lixo do Pacífico como um país, chamado Ilhas de Lixo (“Trash Isles”, em inglês).

Para apoiar esta candidatura, também lançaram uma petição, que já reuniu quase 200 mil assinaturas. Os assinantes são informados de que podem passar a considerar-se cidadãos das Ilhas de Lixo.

“Sabíamos que, embora esta ilha de lixo cubra uma área com o tamanho de um país, é fácil para os líderes mundiais ignorarem-na – o ditado ‘longe da vista, longe do coração’ não podia ser mais apropriado do que com esta questão”, disse Michael Hughes ao Dezeen. “Queríamos encontrar uma forma de os forçar a encará-la.”



A Grande Ilha de Lixo do Pacífico é a mais mediática grande mancha de lixo de origem humana – na sua maioria resíduos plásticos – no mar, ali reunida pelos vórtices das correntes oceânicas. Segundo Michael Hughes e Dal Evans de Almeida, já atingiu o tamanho de França.

Entre as personalidades que apoiam este projeto, destacam-se a atriz Judy Dench, o atleta Mo Farah, o ator Ross Kemp e o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, que já possui um passaporte de cidadão das Ilhas de Lixo.



Com a ajuda do designer Mario Kerkstra, a equipa criou um passaporte, dinheiro, uma bandeira e selos para o país, feitos de materiais reciclados.

“Trabalhando com o Mario como designer, tivemos a ideia de criar tudo o que um país oficial precisa, por isso com ele concebemos um passaporte, dinheiro, selos e uma bandeira”, explicou Michael Hughes.

No passaporte podemos ver o lema “O oceano precisa de nós” e o brasão que retrata um leão-marinho, uma tartaruga, uma gaivota e uma baleia afetados pelos detritos plásticos.


Se na União Europeia temos o euro, os cidadãos das Ilhas de Lixo têm o “detrito”. Com ilustrações de Tony Wilson, as notas mostram imagens dos oceanos devastados pelo plástico. A nota de 20 detritos mostra uma tartaruga com um resíduo plástico à volta da sua carapaça.


A nota de 50 retrata um leão-marinho com redes de pesca descartadas à volta do pescoço e a de 100 uma gaivota com a cabeça presa num conjunto de anéis de plástico para latas de bebidas.


Com 0,30 detritos conseguimos comprar um conjunto de selos azuis que nos mostram os célebres símbolos deste país de lixo, animais marinhos num mar de plástico.


Dal e Mike esperam que o reconhecimento da Grande Ilha de Lixo do Pacífico como um país vá encorajar outros países a limpá-lo.


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