Mais de um milhão de aves são mortas, todos os dias, pelos gatos domésticos e selvagens na Austrália, diz um novo estudo.



Mais de um milhão de aves são mortas, todos os dias, pelos gatos domésticos e selvagens na Austrália, revelou um novo estudo publicado na revista científica Biological Conversation. Esta matança “assombrosa” está a levar ao declínio de muitas espécies.

De acordo com as estimativas do estudo, os gatos vadios matam 316 milhões de aves anualmente, ao passo que os domésticos matam 61 milhões, num total conjunto de 377 milhões de aves.

“Toda a gente sabe que os gatos matam aves, mas este estudo mostra que, a um nível nacional, o total de predação é assombroso e está provavelmente a impulsionar o atual declínio de muitas espécies, disse o investigador que liderou o estudo, John Woinarski, ornitólogo da Universidade de Charles Darwin.

Enquanto os anteriores estudos incidiram no impacto que os gatos têm nos mamíferos da Austrália, John Woinarski disse que este é o primeiro a analisar o seu impacto nas aves australianas.

“Encontramos registos de gatos a matar 338 espécies de aves nativas, das quais 71 são espécies ameaçadas”, contou Sarah Legge, professora associada da Universidade Nacional Australiana. “Isto é cerca de 60% das espécies ameaçadas na Austrália.”


Foto: Mark Marathon

Existem milhões de gatos selvagens no continente e, desde que estes animais foram introduzidos pelos colonizadores há dois séculos, já levaram à dizimação de populações inteiras de animais nativos.
Acredita-se que os felinos sejam responsáveis pela extinção de 20 espécies nativas e por terem colocado muitas outras na lista de espécies ameaçadas.

“A Austrália é o único continente na Terra, para além da Antártida, onde os animais evoluíram sem gatos, o que é uma das razões por que a nossa vida selvagem é tão vulnerável a eles”, declarou Gregory Andrews, anterior Comissário das Espécies Ameaçadas do governo australiano.

Sarah Legge explicou que o estudo também analisou as características que tinham mais probabilidade de tornar as aves vulneráveis aos gatos. As aves de pequena e média dimensão, as que nidificam e caçam no solo, assim como as que vivem em ilhas remotas e zonas áridas são as que se encontram em maior risco.

Segundo o atual Comissário das Espécies Ameaçadas, Sebastian Lang, o governo já mobilizou mais de 30 milhões de dólares australianos para projetos que visam reduzir o impacto dos gatos selvagens na vida selvagem. “Esta nova investigação enfatiza a necessidade de se continuar a trabalhar para reduzir o impacto dos gatos na nossa biodiversidade nativa”, disse o comissário.

“Os donos responsáveis dos animais de estimação podem ajudar a reduzir o impacto dos gatos domésticos, esterilizando-os e mantendo-os dentro de casa ou num compartimento exterior para gatos”, defendeu. “Estas são boas formas de proteger a nossa vida selvagem que também podem melhorar o bem-estar dos gatos domésticos.”

Em junho, a Austrália começou a construir uma zona livre de gatos no deserto, que se estenderá ao longo de 69 mil hectares, onde serão reintroduzidos animais nativos levados ao limiar da extinção pelos felinos.

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