As árvores urbanas cumprem funções que valem, em média, 430 milhões de euros, por ano, nas cidades estudadas pelos investigadores.



Assim como nas florestas e outros ambientes naturais, as árvores também cumprem inúmeras funções importantes nas cidades, que a maior parte das pessoas ignora. O arvoredo urbano reduz a poluição atmosférica, os custos associados ao aquecimento e arrefecimento dos edifícios, as emissões de carbono, retém a água da chuva e muito mais.

Nas megacidades, que são casa de quase 10% da população mundial, as árvores contribuem com várias centenas de milhões de euros por ano em serviços que tornam os ambientes urbanos mais limpos, acessíveis e agradáveis.

Uma equipa de investigadores analisou dez megacidades em cinco continentes e biomas e concluiu que os benefícios das árvores tinham um valor médio anual de 430 milhões de euros (505 milhões de dólares), o equivalente a um milhão por km2 de árvores.

Segundo Theodore Endreny, autor do estudo, as cidades poderão facilmente duplicar estes valores, plantando mais árvores.
“As megacidades podem aumentar estes benefícios em 85%, em média”, disse o investigador. “Se se plantassem árvores em todas as áreas apropriadas disponíveis, elas serviriam para filtrar os poluentes do ar e da água, reduzir a utilização de energia nos edifícios e melhorar o bem-estar, ao mesmo tempo que proporcionariam habitat e recursos para outras espécies na zona urbana.”


Foto: Universidade da Colúmbia Britânica

As cidades estudadas pela equipa de investigação foram: Bombaim, Índia; Buenos Aires, Argentina; Cairo, Egipto; Cidade do México, México; Istambul, Turquia; Londres, Reino Unido; Los Angeles, Estados Unidos; Moscovo, Rússia; Pequim, China e Tóquio, Japão.

Há cada vez mais estudos a comprovar os benefícios dos espaços verdes urbanos para a saúde mental e física das pessoas. Segundo um relatório do Instituto para a Política Ambiental Europeia, quem vive perto de árvores e espaços verdes tem menos probabilidade de ser obeso, inativo ou de estar dependente de antidepressivos.

As mulheres grávidas que vivem em zonas arborizadas apresentam valores mais baixos de tensão arterial e, segundo um estudo da Universidade de Glasgow, a taxa de mortalidade entre os homens de meia-idade que moram em zonas desfavorecidas que possuem espaços verdes é inferior em 16% à dos que vivem em zonas mais urbanizadas.

“As árvores possuem benefícios diretos e indiretos para o arrefecimento dos edifícios e para reduzir o sofrimento humano durante as ondas de calor”, explicou Theodore Endreny. “O benefício direto é a sombra, que mantém as zonas urbanas mais frescas, o benefício indireto é a transpiração das águas pluviais, que torna o ar quente mais fresco.”



Do valor total dos benefícios oferecidos pelas árvores, cerca de 411 milhões de euros devem-se à redução de poluentes, como o monóxido de carbono, dióxido de azoto, dióxido de enxofre e partículas, libertados pela queima de combustíveis fósseis. O processamento de águas pluviais evitado pelas ETAR graças às árvores vale cerca de nove milhões de euros por ano, o sequestro de carbono vale quase sete milhões de euros e as poupanças de energia 0,4 milhões de euros.

“Ao colocarmos estes resultados à escala dos sistemas socioeconómicos, torna-se evidente até que ponto a natureza contribui para o nosso bem-estar individual e o das comunidades, ao prestar [estes serviços] de graça”, disse Sergio Ulgiati, investigador da Universidade Parthenope de Nápoles, na Itália, e coautor do estudo.

“Uma maior consciência do valor económico dos serviços gratuitos prestados pela natureza pode aumentar o nosso desejo de investir esforços e recursos para a conservação e a correta exploração do capital natural, para que a riqueza da sociedade, a estabilidade económica e o bem-estar também aumentem.”

O estudo foi publicado na revista científica Ecological Modelling.

1ª foto: Jason Devaun

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