Há drones a serem utilizados para reabilitar aves feridas, para que estas voltem a voar e sejam devolvidas à natureza.



O falcão ferido que Gordon Court viu no campo do agricultor que o encontrou não estava em bom estado e o biólogo duvidou de que pudesse recuperar. “Estava no chão há muito tempo e não se tinha alimentado”, disse. “Não achei que sobrevivesse à primeira noite.”

Mas a ave – um gerifalte, a espécie de falcão de maior dimensão – sobreviveu e Gordon decidiu levá-la a Steve Schwartze, consultor de vida selvagem e falcoeiro profissional, que tinha conseguido reabilitar um falcão-peregrino no ano anterior.

Durante quatro meses, Steve dedicou inúmeras horas à reabilitação do falcão ferido com a ajuda de um fisioterapeuta invulgar – um drone. Não é raro, nos dias que correm, os falcoeiros utilizarem drones para treinar os seus falcões, mas usá-los para tratar aves selvagens é outra história.

Ao drone, Steve prendeu uma linha de nylon de 1,8 metros com um isco – um pedaço de carne – numa ponta e um pequeno paraquedas na outra. Eis como funciona: o drone ergue-se no ar, levando com ele o isco que fica a pairar. A ave levanta voo, perseguindo o drone até capturar o isco, que não larga. Quando isto acontece, o paraquedas solta-se do drone e abre-se, fazendo com que a ave, o isco e o paraquedas desçam lentamente e aterrem em segurança no campo abaixo.



Para uma ave ferida, o processo não é assim tão fácil. “Quando a levei no primeiro dia, estava tão fraca que praticamente não conseguia levantar voo”, contou o falcoeiro a Sarah Hewitt do portal Motherboard.

Numa primeira fase, Steve controlou o drone para que este voasse baixo e que a “presa” fosse arrastada pelo chão, incitando a ave a persegui-la. “Ela habituou-se imediatamente”, disse. “Foi muito natural para ela.”

À medida que o falcão foi ganhando forças, Steve foi elevando o isco um pouco mais. “Assim que o apanham no ar, pode-se duplicar a altitude que atingem todos os dias, por isso, para uma ave saudável, chega-se aos 300 metros em muito pouco tempo.”

No caso de uma ave ferida, é diferente. “Fi-la repetir vezes sem conta. É difícil, mas, quando se trata de reabilitação e fisioterapia, não se fazem progressos seguindo o caminho mais fácil.”


Falcão-gerifalte (Falco rusticolus) | Foto: NorthernLight

Nem sempre as reabilitações são bem-sucedidas e as aves que não podem voltar ao seu ambiente natural vão muitas vezes parar a zoos. No entanto, depois de um programa de treino exaustivo de quatro meses e um ano depois de o animal ter ficado ferido, Steve concluiu que os músculos do falcão estavam fortes e que poderia caçar por conta própria de novo – o sinal de uma recuperação bem-sucedida.

Este tipo de reabilitação é, contudo, moroso e não é relevante para a população global da espécie, diz Steve. Para um indivíduo, porém, pode ser a diferença entre uma vida em liberdade ou uma em cativeiro.

No grande dia – o dia da sua libertação – o falcão voou com confiança da luva do falcoeiro, afastando-se no céu. Gordon Court, que também estava presente, exclamou: Nunca pensei que aquela ave voltasse a voar!”

Foto da capa: Jon Groves

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