Metade das espécies do Canadá analisadas num estudo da WWF está a sofrer um declínio alarmante.

Caribu

Num estudo que analisou 903 espécies de mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis do Canadá, os cientistas descobriram que metade delas (451) estão a sofrer um declínio alarmante, incluindo diversas já classificadas como ameaçadas ou em perigo.

Para estas espécies, o relatório Planeta Vivo da WWF revelou, em média, um declínio de 83%, entre 1970 e 2014, um “número marcante”, segundo os cientistas.

“É fácil assumir-se que valores chocantes de declínio da vida selvagem não se aplicam aqui, no Canadá”, disse o presidente da WWF-Canadá, David Miller. “Afinal de contas, vivemos num país de vastas áreas verdes com muito espaço para os ursos-pardos e os alcatrazes, belugas e percas, salamandras e raposas-velozes – não é mesmo assim?”



No entanto, a realidade com que os investigadores se depararam, na sua análise de mais de 400 fontes de dados, não foi esta. Entre os animais com populações em declínio, os autores destacaram a subespécie de rena Rangifer tarandus caribou, retratada na moeda de 25¢ do Canadá, e a população de baleias-brancas do estuário de St. Lawrence.

As maiores ameaças à vida selvagem do Canadá, de acordo com o relatório, são a urbanização, a agricultura, a silvicultura e o desenvolvimento industrial. Outros fatores citados pela WWF incluem a poluição, a sobrepesca e as espécies invasoras.

Têm sido apontadas falhas nos esforços do governo federal para refrear a perda de vida selvagem, nomeadamente atrasos no reconhecimento de habitats críticos e na criação de estratégias de recuperação.

Um exemplo destas falhas é o caso da população de baleias-brancas, ou belugas, do estuário de St. Lawrence, cuja população foi classificada como ameaçada em 2005. Só em 2016 é que o habitat destes cetáceos foi protegido legalmente. Estes atrasos tiveram as suas consequências: atualmente já só existem menos de 900 belugas de St. Lawrence e a população foi reclassificada como “em perigo”.


Baleia-branca | Foto: Steve Snodgrass

Os números da subespécie de rena Rangifer tarandus groenlandicus também caíram: se em 1990 existiam mais de dois milhões, atualmente existem cerca de 800 mil.

“Esta é uma mensagem clara de que precisamos de ser mais ativos para evitar o declínio da vida selvagem, disse James Snider, autor do relatório. “Se o ritmo de declínio da vida selvagem continuar como atualmente, acho mesmo que enfrentamos o risco de começar a perder espécies do Canadá.”

Nem tudo são más notícias. Das 903 espécies analisadas – que representam cerca de metade dos vertebrados conhecidos do Canadá –, 407 viram um aumento nas suas populações e 45 mantiveram-se estáveis.

Também existem histórias de sucesso, como o caso das aves de rapina, cujas espécies – entre as quais o falcão-peregrino – viram os seus números aumentar em média 88% nas últimas décadas, como resultado da redução e da proibição do uso de pesticidas como o DDT.

“Por isso, quando nós, como sociedade, decidimos tomar medidas e promover o interesse pela vida selvagem, conseguimos criar mudanças reais”, defendeu Snider.


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