A Colúmbia Britânica proibiu a caça de troféus de ursos-pardos, à qual a maioria da sua população se opunha.

urso-pardo

A partir de 30 de novembro de 2017, a caça de troféus de ursos-pardos passará a ser proibida na Colúmbia Britânica, no Canadá. A nova legislação também proibirá todo o tipo de caça ao urso-pardo na floresta Great Bear.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Rural, Doug Donaldson, a decisão de proibir a prática não foi tomada devido ao facto de o número de animais caçados ser insustentável, mas porque “se chegou a um ponto, na Colúmbia Britânica, em que as pessoas já não são a favor da caça de troféus de ursos-pardos”.

“Ao pôr fim a esta caça, estamos a cumprir os nossos compromissos para com os habitantes da Colúmbia Britânica”, declarou o ministro. “Esta medida é apoiada pela grande maioria dos cidadãos da nossa província.”

As estimativas apontam para a existência de 15 000 ursos-pardos na Colúmbia Britânica, dos quais cerca de 250 são mortos pelos caçadores, todos os anos. Segundo uma sondagem recente, cerca de 90% da população opunha-se à caça de troféus.

“Em especial, é nosso dever para com as gerações passadas e futuras fazer tudo o que conseguirmos para proteger a beleza e singularidade da floresta Great Bear”, disse Doug Donaldson.

A proibição surge como resultado da vitória do Novo Partido Democrata nas eleições, que derrotou o Partido Liberal ao fim de 16 anos – altura em que os liberais reintroduziram a caça de troféus na província. Entre as medidas prometidas pelos democratas durante a sua campanha política, contava-se a proibição que agora foi decretada.

Entretanto, a época venatória, para a qual já tinham sido emitidas licenças antes da formação do novo governo, já foi aberta em algumas partes da província. Os ministros lembram, no entanto, que esta será a última caça de troféus de urso-pardo.



4000 ursos mortos em 16 anos

A decisão foi saudada pelos conservacionistas. Segundo Joe Foy, do grupo Wilderness Committee, foram mortos cerca de 4000 ursos nos últimos 16 anos. “Estamos satisfeitos por ver que esta matança sem sentido está a chegar ao fim. Agora, esta espécie em risco tem maiores hipóteses de recuperar”, disse.

O ministro Doug Donaldson explicou que os caçadores não terão permissão para recolher as partes de urso que poderiam ser utilizadas como troféus. “Os caçadores deixarão de poder possuir a pele, a cabeça ou as patas de um urso-pardo.”

Embora a caça de troféus passe a ser proibida, a caça para a obtenção da carne destes animais continuará a ser permitida na província – excetuando na floresta Great Bear –, o que suscitou algum descontentamento.

Andrew Weaver, do Partido Verde, defendeu que a medida não é suficiente para proteger os ursos e que poderá criar uma lacuna para que a caça de troféus continue, dado que os caçadores poderão, simplesmente, matar o urso, tirar “selfies” com a carcaça do animal e partir sem recolher nenhum troféu. De acordo com a Fundação de Conservação da Floresta Tropical, “praticamente ninguém caça ursos-pardos pela sua carne”.

Para além desta medida, o novo governo pretende desenvolver uma estratégia renovada para a gestão da vida selvagem da província. “Os elementos essenciais dessa estratégia incluirão o financiamento específico para a vida selvagem e conservação de habitats e um processo colaborativo para o desenvolvimento de planos a curto e a longo prazo para os recursos da vida selvagem”, explicou o ministro.

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