Segundo um novo estudo, faltam às áreas protegidas de África 75% dos elefantes que nelas deveriam existir.

Elefante africano

Sem as ameaças causadas pelos seres humanos, particularmente a caça furtiva, existiriam muitos mais elefantes nas savanas africanas. Um novo estudo da Universidade de Pretoria estimou o número destes animais que poderiam existir em 73 áreas protegidas de 21 países africanos, se os fatores ambientais, e não a intervenção humana, controlassem a dimensão das suas populações.

Segundo o trabalho, faltam às áreas protegidas de África 75% dos elefantes que nelas deveriam existir, o que equivale a cerca de 730 000 animais. O estudo revelou ainda que um terço destas áreas protegidas não tem sequer 5% dos elefantes que deveriam existir nelas.

“O estudo (…) levou 10 anos a completar e é o melhor indicador até agora do verdadeiro impacto que a caça furtiva está a ter nas populações de elefantes de África e como estas poderiam prosperar se não fossem afetadas pela interferência humana”, disse Joseph Okori, da organização IFAW, que ajudou a financiar o trabalho de investigação.

Com o novo estudo, os conservacionistas sabem, pela primeira vez, quais são os lugares aos quais deve ser dada prioridade na conservação de elefantes. “No passado, tivemos estimativas relativamente boas do número de elefantes que existem e de quantos são vítimas da caça furtiva. Mas agora determinámos quantos elefantes deveria haver, em primeiro lugar”, declarou Ashley Robson, autora do estudo.

“Pela primeira vez, temos metas de conservação positivas. Podemos canalizar o financiamento e esforços para onde são mais necessários.”

Elefantes africanos

“Ainda que a magnitude da perda causada pela caça furtiva seja devastadora – faltam 730 000 elefantes nas 73 áreas protegidas avaliadas –, não vejo o nosso trabalho como mais uma perspetiva negativa e pessimista. Pelo contrário, proporcionamos, aos conservacionistas de elefantes, objetivos significativos em termos ecológicos. É um avanço positivo para os elefantes”, defendeu Ashley Robson.

“Se se tentar estabelecer uma relação entre a atual densidade de elefantes nas áreas protegidas de África e a disponibilidade local de vegetação e água, falhar-se-á. Desde a era colonial até hoje, os humanos afetaram de forma tão generalizada as populações que poucas, se é que algumas, alcançaram uma dimensão onde o limite dos recursos se impõe naturalmente para parar o crescimento”, disse a investigadora.



A equipa de investigação analisou dados de censos dos últimos 25 anos para descobrir as populações que têm estado relativamente estáveis. De seguida, mediram a vegetação e água de cada local com tecnologias de teledeteção para quantificar os recursos mais importantes para os elefantes. Por fim, adicionaram ao seu modelo um índice de caça furtiva.

“Os elefantes prosperam numa enorme variedade de condições – de desertos a florestas exuberantes – por isso a sua densidade varia de acordo com os recursos locais. Não existe uma densidade ideal. Os ecologistas sabem disto há muito tempo, mas nunca foi quantificado até agora”, explicou Rudi van Aarde, supervisor do projeto.

“O comércio de marfim (...) e a caça furtiva influenciaram os elefantes de todo o continente e esconderam a relação entre a dimensão populacional e as condições ambientais”, disse o investigador. “Mas nós tivemos em consideração o impacto da caça furtiva nos nossos modelos para predizer ‘valores ecológicos de referência’ – a dimensão que as populações atingiriam se os fatores ambientais, e não a intervenção humana, controlassem o crescimento populacional.”



“[Este trabalho não é realizado] apenas em nome dos elefantes; os elefantes têm um papel fundamental na modelação das savanas, que em África cobrem tanta terra quanto o território continental dos EUA e a Europa juntos. A perda dos elefantes é prejudicial para as nossas savanas e para as espécies que dependem delas”, afirmou Ashley Robson.

“Embora as metas de conservação sejam um avanço positivo, o nosso estudo é uma chamada de atenção”, declarou a investigadora.

Costumamos pensar que as áreas protegidas são refúgios onde a vida selvagem prospera sem a interferência humana. Mas quando se trata dos elefantes, as áreas protegidas estão a falhar. Se as populações de elefantes estão tão fortemente reduzidas, mesmo quando protegidas, o que dizer das populações em 70% do território dos elefantes que estão fora dos limites dos parques naturais?”, indagou Morgan Trimble, que integrou a equipa de investigação.

"O facto de os elefantes não estarem em boa situação, mesmo quando protegidos, significa que precisamos de agir”, frisou Ashley Robson.

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