A transformação que os castores fizeram na paisagem estudada deixou-a “quase irreconhecível”, com mais espécies de plantas e habitats.

Castor europeu

Durante um período de 12 anos, uma equipa de cientistas da Universidade de Stirling, na Escócia, analisou os efeitos que um grupo de quatro castores tinha na zona onde foram reintroduzidos. A equipa descobriu que os industriosos animais criaram quase 200 metros de barragens, 500 metros de canais e um acre de lagos.

Esta transformação deixou a antiga pastagem, que tinha sido drenada há mais de 200 anos, “quase irreconhecível”, com uma grande variedade de habitats criados e um mosaico de vegetação que aumentou 71% em complexidade.

O número de espécies de plantas cresceu quase 50% e, ao mesmo tempo, diminuíram as espécies que crescem normalmente em zonas com níveis elevados de nitrogénio, o que indica que as condições do solo passaram a ser mais naturais.

Segundo os investigadores, o estudo demonstra que os castores podem ser uma opção de baixo custo para a restauração das zonas húmidas.


O local de estudo um ano após a introdução dos castores (a) e 11 anos depois (b)

“As zonas húmidas são ambientes extremamente importantes para a biodiversidade”, disse Nigel Willby, professor da Universidade de Stirling. “Também servem para armazenar água e melhorar a sua qualidade – são os ‘rins da paisagem’. Todavia, as zonas húmidas do mundo estão a desaparecer a um ritmo alarmante – as estimativas mais recentes sugerem que se perderam quase dois terços desde 1900.”

Um estudo anterior da mesma equipa de investigação mostrou como as represas dos castores podem abrandar os fluxos de água, reduzindo o risco de cheias e a poluição da água.

“Os castores são famosos pelas suas habilidades de engenharia, como a construção de barragens, e estão agora a ser considerados como ferramentas para a recuperação das zonas húmidas. Eles foram reintroduzidos em muitos locais, incluindo na Escócia, em parte com este propósito e as nossas descobertas demonstram os benefícios surpreendentemente grandes que trazem à biodiversidade”, disse o professor.

400 anos após terem sido caçados até à extinção, os castores foram reintroduzidos na Escócia e já foram reconhecidos oficialmente como uma espécie nativa. Entretanto, está a ser considerada a sua reintrodução em Gales.


Foto: Mike Symes/ Devon Wildlife Trust/ Universidade de Exeter
1ª foto: Tomasz Chmielewski


Com as suas complexas construções, os castores criam lagos nos quais se podem abrigar de predadores como os ursos, lobos e glutões.

“Depois de 12 anos de otimização do habitat pelos castores, o local do estudo ficou quase irreconhecível em relação ao seu estado inicial”, escreveram os autores do estudo publicado na revista científica Science of the Total Environment. “A reintrodução da espécie em causa poderá revelar-se o ingrediente em falta para a restauração bem-sucedida e sustentável a longo-prazo das zonas húmidas.”

“Sabemos muito sobre os benefícios dos castores em ambientes naturais, mas até agora não conhecíamos toda a extensão do que eles conseguem realizar nas paisagens atuais, onde a recuperação é mais necessária”, disse Alan Law, um dos investigadores do estudo.

“Os castores oferecem uma solução inovadora e menos interventiva para o problema da perda de zonas húmidas. Ver o que eles podem fazer pelas nossas zonas húmidas e rurais salienta a diversidade de paisagens que temos perdido nos últimos 400 anos.”

Os cientistas lembram, no entanto, que as reintroduções dos animais devem ser geridas com cuidado para evitar conflitos com os agricultores, que temem o impacto que os animais podem ter nos campos.

“Acho que, desde que os castores tenham bastante espaço para formar um número decente de territórios, poderá haver benefícios enormes”, disse Nigel Willby.

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