Depois de uma ausência de 1300 anos, os linces poderão regressar às florestas do Reino Unido até ao final de 2017.

Lince-euroasiático

Depois de uma ausência de 1300 anos, os linces poderão regressar às florestas do Reino Unido até ao final de 2017, se for concedida uma licença para testar a sua reintrodução.

A organização Lynx UK Trust pretende reintroduzir seis linces na floresta de Kielder, em Northumberland, um local escolhido por reunir alguns aspetos vitais, nomeadamente a abundância de presas (veados), a grande área florestal e a ausência de grandes eixos rodoviários.

“Os linces pertencem aqui tanto quanto os ouriços-cacheiros, texugos, piscos-de-peito-ruivo, melros – eles são uma parte intrínseca do ambiente britânico”, disse Paul O’Donoghue, assessor científico da Lynx UK Trust. “Temos uma obrigação moral. Matámo-los por causa do comércio de peles, esse é um erro que temos de corrigir.”

Os linces-euroasiáticos que poderão ser libertados no Reino Unido – quatro fêmeas e dois machos – serão provenientes da Suécia, onde existe uma população com mais de mil destes animais, e terão coleiras com GPS incorporado, para que a sua localização seja monitorizada 24h/dia.

A reintrodução deste predador não agrada a todos, encontrando particular oposição entre os agricultores e residentes locais. Contudo, Paul O’Donoghue defende que as comunidades rurais beneficiarão do ecoturismo resultante e aponta ainda para estudos realizados na Europa que mostraram que os linces selvagens só matam uma ovelha a cada dois anos e meio, ao passo que, todos os anos, morrem milhões de ovelhas no país, devido à malnutrição e a doenças.

“Eles gerarão dezenas de milhões de libras esterlinas para as economias rurais em dificuldades no Reino Unido. Os linces também já foram reintroduzidos nas montanhas Harz, na Alemanha. Marcaram toda a região como o ‘reino do lince’. Agora é um destino próspero de ecoturismo e nós pensamos que podíamos fazer exatamente o mesmo em Kielder”, contou ao The Guardian.

Cria de lince-euroasiático
Cria de lince-euroasiático (Bernard Landgraf) | 1ª foto: Dogrando

Os benefícios da reintrodução destes predadores estender-se-iam às outras espécies de fauna selvagem, que teriam mais oportunidade de prosperar, graças à redução do sobrepastoreio dos corços nas florestas.

“Temos uma sobrepopulação imensa de corços no Reino Unido. Somos um dos países mais pobres em biodiversidade do mundo. Precisamos do lince, mais do que ele precisa de nós”, confessou o cientista.

A solicitação da licença será submetida à Natural England nas próximas semanas. “Poderemos ter o lince de volta em 2017”, disse Paul O’Donoghue.

A este respeito, uma representante da Natural England declarou que “qualquer decisão para conceder uma licença para reintroduzir o lince na Inglaterra será fundamentada nos impactos nas comunidades afetadas, num ambiente mais vasto e seguirá as diretrizes internacionais”.

Caso a reintrodução receba luz verde e os linces voltem a percorrer as florestas britânicas, O’Donoghue lembra os turistas de que, mesmo assim, não serão fáceis de avistar.

“Os linces são muito reservados e elusivos, mas isso é completamente irrelevante. É uma oportunidade de passear numa floresta onde um lince vive, uma oportunidade de ver a pegada ou o poste de arranhar de um lince. E se chegar a ver um lince na natureza, esse será o encontro de uma vida com um animal selvagem.”

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