O Peru perdeu mais de 1,8 milhões de hectares de floresta amazónica, ou o equivalente a 2 470 000 campos de futebol, em 15 anos.

Desflorestação na Amazónia do Peru

Entre 2001 e 2015, o Peru perdeu mais de 1,8 milhões de hectares de floresta amazónica ou o equivalente a 2 470 000 campos de futebol. Houve picos de perda de área florestal em 2005, 2009 e 2014, com uma tendência crescente. Em 2014 perderam-se 177 566 hectares, o maior nível de perda anual registado, a que se seguiu uma ligeira diminuição em 2015 (156 462 ha).

As seis principais causas da desflorestação e degradação na Amazónia peruana identificadas pelo Projeto de monitorização MAAP, através da utilização de imagens de satélite de alta resolução, são: a agricultura de pequena e média escala, a agricultura de larga escala, as pastagens para o gado, a exploração de ouro, o cultivo de cocaína e a construção de estradas.

“A tendência de desflorestação continua a ser problemática; estamos numa altura interessante em que a desflorestação diminuiu em 2015, relativamente a 2014. São boas notícias, mas as más notícias são as de que este nível é, todavia, muito elevado, o segundo mais elevado no registo histórico”, disse Matt Finer, investigador do MAAP.


As principais causas de desflorestação na Amazónia peruana | Dados: MAAP, SERNANP

Agricultura e pastagens para o gado

A grande maioria (80%) dos eventos de perda de floresta são de pequena escala (<5 ha), ao passo que os eventos de larga escala (> 50 ha), associados a práticas agroindustriais, são uma ameaça latente.

Os investigadores suspeitam que a agricultura de pequena escala e as pastagens para o gado sejam as causas mais críticas de desflorestação no país, embora admitam a necessidade de se realizarem trabalhos de campo mais extensivos para verificar esta suposição. Também acreditam que estas duas atividades possam ser fatores determinantes para os incêndios que degradam a Amazónia durante a estação seca intensa.


Perda de área florestal anual | Dados: PNCB/MINAM, UMD/GLAD. *Estimado com base em alertas GLAD

O MAAP detetou plantações de palmeiras em pequena e média escala para a produção de óleo de palma em Huánuco, Ucayai e Loreto; plantações de cacau a este de Madre de Dios, assim como culturas de arroz, milho e papaia ao longo da estrada interoceânica e em Madre de Dios. Segundo Matt Finer, controlar a agricultura de pequena e média escala será um desafio para o governo.

“A grande maioria [da desflorestação] é de pequena e média escala, o que é muito difícil de controlar”, explica o investigador ao Mongabay. “É a primeira vez que entendemos que é este o padrão e creio que a elaboração de políticas para enfrentar isto vai demorar algum tempo, já que é mais fácil concentrarmo-nos na desflorestação em grande escala, porque há sempre uma empresa [por trás], na qual nos podemos concentrar.”

Exploração de ouro, estradas e cocaína

No sul do Peru, a exploração de ouro é uma das causas mais críticas de desflorestação. Segundo um estudo citado pelo MAAP no seu relatório “Padrões e causas de desflorestação na Amazónia Peruana”, esta atividade desflorestou cerca de 50 mil hectares, entre 2000 e 2012. A este valor, os investigadores do MAAP acrescentam 12 500 ha perdidos entre 2013 e 2016. O projeto monitorizou ainda a invasão ilegal da exploração de ouro em áreas naturais protegidas do país, o que causou a alteração do curso do rio Malinowski.


Atividade mineira ilegal altera o curso do rio Malinowski, na Reserva Nacional Tambopata (Planet Labs, Digital Globe)

A construção de estradas é um importante fator impulsionador da degradação da floresta, pois está associada a outras atividades que são favorecidas pela sua proximidade, para além de facilitar a extração seletiva de espécies de madeira valiosas em zonas remotas.

Existem, atualmente, 13 zonas principais de cultivo de cocaína no país e, segundo as Nações Unidas, estas plantações cobriam 40 300 ha em 2015.

Oito focos de desflorestação

Os investigadores identificaram ainda oito focos de desflorestação na Amazónia peruana, sendo que as áreas de maior intensidade se concentram na Amazónia central, a noroeste de Ucayali e a este de Huánaco (A e B, respetivamente, no mapa).


Dados: PNCB/MINAM, GLAD/UMD

O mapa acima mostra a forma como as causas de desflorestação podem variar ao longo dos anos. Por exemplo, se, entre 2012 e 2014, os maiores impulsionadores da desflorestação na Amazónia central foram dois projetos de produção de óleo de palma em larga escala, no noroeste da região de Ucayali, nos dois anos seguintes, as pastagens para o gado e o cultivo de palmeiras em pequena escala mais a ocidente tornaram-se a maior ameaça.

Embora Finer admita que lidar com um tipo de desflorestação “que está em todo o lado e em pequenas partes” é difícil, também espera passar a mensagem de que “com a tecnologia há olhos a observar, já podemos ver o que se passa e em cinco anos isto pode fazer uma grande diferença”.

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