As plantações de eucaliptos reduzem a diversidade de macroinvertebrados nos pequenos ribeiros florestais e contribuem para que estes sequem.



Segundo um estudo da Universidade de Vigo, as plantações de eucaliptos reduzem a diversidade de macroinvertebrados em pequenos ribeiros florestais. Os investigadores descobriram também que os ribeiros cujas bacias hidrográficas estão maioritariamente cobertas por eucaliptais apresentam uma maior probabilidade de secar completamente no Verão.

O estudo, publicado na revista científica Animal Biodiversity and Conservation, analisou os efeitos das alterações do uso do solo e, em particular, das plantações de eucaliptos nos ecossistemas fluviais de 16 afluentes do rio Lérez (em Pontevedra, Espanha).

A equipa de investigadores contou os macroinvertebrados e identificou-os até ao nível da família. Estes animais invertebrados, tais como moluscos, crustáceos, insetos e anelídeos, habitam principalmente sistemas de água doce e são indicadores da qualidade da água, para além de serem fundamentais para toda a cadeia trófica dos ecossistemas fluviais.

O uso do solo foi classificado, utilizando fotografias aéreas, em cinco categorias diferentes: bosque autóctone, zona agrícola, matagal e zona urbana.

Os cientistas descobriram que a diversidade de macroinvertebrados aumentava com o tamanho da bacia hidrográfica e com a proporção de superfície da bacia coberta por bosque autóctone. Por outro lado, a riqueza de macroinvertebrados, assim como a sua diversidade, diminuía à medida que aumentava o solo ocupado por eucaliptos.

Constatou-se assim que, quantos mais eucaliptos havia numa bacia, menor era a diversidade e riqueza de espécies lá, conta o jornal Galicia Confidencial.


Regato de Maneses | Foto: Universidade de Vigo

Outra descoberta feita no estudo, dirigido por Adolfo Cordero Rivera, diretor do Laboratório de Ecologia Evolutiva e de Conservação da Faculdade de Engenharia Florestal da Universidade de Vigo, foi a de que os regatos cujas bacias de drenagem estão cobertas principalmente por eucaliptais apresentam uma maior probabilidade de secar completamente no Verão.

Os cientistas notaram que a temperatura média das águas dos ribeiros subia quando o número de eucaliptos aumentava, já que, por um lado, os ribeiros que passam por eucaliptais têm menos caudal e, por outro, são menos sombreados por estas árvores. Isto faz aumentar a temperatura da água e a evaporação.

De facto, dos 16 ribeiros estudados, os que se localizavam em zonas exclusivamente dominadas por eucaliptais secaram completamente no Verão. O mesmo não se verificou no caso dos que se localizavam em zonas de bosque autóctone.

As descobertas deste estudo juntam-se às de trabalhos anteriores, os quais concluíram que as plantações de árvores de crescimento rápido afetam os recursos hídricos.
Para minimizar os efeitos da silvicultura industrial, os autores sugerem que a manutenção ou recuperação de bosques ribeirinhos poderia mitigar as repercussões das monoculturas intensivas de eucaliptos.

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