Passear na natureza promove a saúde mental e pode reduzir o risco de depressão, dizem dois estudos da Universidade de Standford.



Sente-se em baixo? Experimente dar um passeio num espaço verde. Esta é a proposta de um estudo da Universidade de Standford, que descobriu que passear na natureza promove a saúde mental e pode reduzir o risco de depressão.

“O que descobrimos nesta investigação sugere que as zonas naturais acessíveis podem ser vitais para a saúde mental no nosso mundo cada vez mais urbanizado”, disse Gretchen Daily, professora de Ciência Ambiental e coautora do estudo. “As nossas descobertas poderão servir de referência para o crescente movimento mundial que visa tornar as cidades mais habitáveis e a natureza mais acessível a todos os que vivem nelas.”

Mais de metade da população mundial vive em zonas urbanas e estima-se que, até 2050, se poderão juntar a este número mais 2,5 mil milhões de pessoas. Da mesma forma que a urbanização e o afastamento da natureza aumentaram dramaticamente, também aumentaram os casos de perturbações mentais.

Os habitantes das cidades têm maior risco de sofrer de ansiedade, depressão, esquizofrenia e de outras doenças mentais do que os habitantes de zonas rurais. Vários estudos têm revelado mais casos de problemas psicológicos entre os residentes urbanos com pouco acesso a espaços verdes do que entre os que vivem perto de parques.

Sendo assim, estará o contacto com a natureza ligado à saúde mental? E, se sim, quais serão os seus efeitos nas nossas emoções e estado de espírito? Estas questões intrigaram Gregory Bratman, da Universidade de Standford, que decidiu investigar melhor este assunto.

Os benefícios de um passeio na natureza

Juntamente com os seus colegas, o investigador dividiu aleatoriamente os 60 voluntários do estudo em dois grupos: um daria um passeio de 50 minutos num espaço natural e o outro num urbano com tráfego intenso. A equipa avaliou o estado emocional dos voluntários, antes e depois do passeio, assim como a sua capacidade de realizar tarefas concebidas para testar a sua memória de curto prazo.

Os resultados mostraram que as pessoas que caminharam na natureza ficaram menos ansiosas, mais felizes e com um nível inferior de pensamentos negativos repetitivos do que as que caminharam na cidade. Também houve uma melhoria no seu desempenho nos testes de memória.



Uma outra experiência semelhante a esta, realizada em 2012 por Stephen Kaplan, descobriu que um passeio de 50 minutos entre o arvoredo melhorava as capacidades cognitivas, como a memória de curto prazo.
“Imagine uma terapia sem quaisquer efeitos secundários conhecidos, que está facilmente disponível e que poderia melhorar as suas funções cognitivas a custo zero”, escreveram os investigadores. Pois ela existe e chama-se “interagir com a natureza”.

Para aprofundar estes resultados, Gregory Bratman decidiu analisar, num segundo estudo, a forma como passear na natureza afeta os níveis de “ruminação” – pensamentos repetitivos focados em emoções negativas sobre nós próprios e as nossas vidas – dos participantes. A ruminação pode ser precursora da depressão e ansiedade e está associada a uma maior atividade numa região específica do cérebro, conhecida como o córtex pré-frontal subgenual.

Os investigadores reuniram 38 voluntários adultos saudáveis para o novo estudo. Metade passeou durante 90 minutos num parque com carvalhos e arbustos e a outra metade na rua mais agitada e com mais trânsito de Palo Alto, na Califórnia. Os participantes não podiam ter companheiros durante a caminhada ou ouvir música.

Antes e depois do passeio, os investigadores mediram o ritmo cardíaco dos voluntários, examinaram os seus cérebros e pediram-lhes que completassem questionários para determinar os seus níveis de ruminação.



Não foram observadas diferenças notórias nas condições fisiológicas, mas a equipa notou diferenças substanciais nos seus cérebros. Para além de terem relatado menores níveis de pensamentos negativos repetitivos depois do passeio, os caminhantes da natureza revelaram uma diminuição de atividade no córtex pré-frontal subgenual. O mesmo não se verificou nas pessoas que caminharam na cidade.

“Foi bastante surpreendente que um passeio de 90 minutos tivesse assim tanto impacto”, declarou Gregory Bratman, acrescentando que estas descobertas sugerem que visitar uma zona natural poderá ser uma forma fácil e quase imediata de melhorar o estado de espírito dos residentes urbanos.

No entanto, ainda há muitas questões por responder, diz o investigador, como se será melhor caminhar-se sozinho ou acompanhado, se será necessário andar-se ou estar-se fisicamente ativo para se tirar mais proveito da natureza e que aspetos do mundo natural serão mais tranquilizadores.

Entretanto e enquanto estas questões ficam em aberto, o investigador convida as pessoas a passear no parque mais próximo e desfrutar de todos os benefícios que a natureza tem para nos oferecer.


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