Uma juíza determinou que a Califórnia pode exigir à Monsanto que coloque um aviso de cancro no rótulo do seu herbicida Roundup (glifosato).



Uma juíza determinou que a Califórnia pode exigir à Monsanto que coloque um aviso cancerígeno no rótulo do seu herbicida Roundup, apesar de a empresa insistir que o produto, vendido em mais de 160 países, não representa um risco para a saúde humana.

A Proposta 65 da Califórnia exige que o estado norte-americano publique uma lista com os químicos que podem causar cancro, malformações congénitas ou outras doenças do aparelho reprodutor. Esta medida tem resultado numa grande quantidade de avisos nos rótulos de todo o tipo de produtos.

Em janeiro de 2017, a Monsanto processou a Agência de Saúde Ambiental e Avaliação dos Perigos da EPA da Califórnia, quando esta agência comunicou a sua intenção de adicionar o glifosato, a substância ativa do Roundup, à lista de químicos da Proposta 65. Segundo as autoridades reguladoras californianas, esta decisão foi fundamentada nas conclusões da Agência Internacional para a Investigação do Cancro, considerada a maior autoridade mundial no que toca ao cancro.


Embora a gigante dos pesticidas e das sementes geneticamente modificadas negue qualquer ligação entre o cancro e a utilização de glifosato, nem todos concordam. “As pessoas deviam saber que há cientistas (...) que não concordariam com a Monsanto e com algumas das avaliações dos organismos reguladores, e até mesmo dentro da EPA há divergências [sobre este assunto]”, disse Robin Greenwald, advogado. Mesmo na UE tem havido muita discórdia entre os países. Não é tão simples como a Monsanto o faz parecer.”

No acórdão final, a juíza Kristi Culver Kapetan do Supremo Tribunal pronunciou-se contra a Monsanto, dizendo que nenhuma das suas objeções era fundamentada, conta o Los Angeles Times. Trenton Norris, o advogado da multinacional, disse à juíza que a colocação de avisos iria afugentar clientes, prejudicando, consequentemente, a empresa.

Foto: Mike Mozart

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