O impacto que a remoção das espécies de plantas exóticas invasoras tem nos ecossistemas é maior do que se pensava, diz um estudo.



O impacto que a remoção das espécies de plantas exóticas invasoras tem nos ecossistemas é maior do que se pensava. Os processos de polinização tornam-se mais eficientes e o número de espécies de polinizadores aumenta. Estas são as descobertas de um estudo de uma equipa de biólogos da TU Darmstadt, publicado na revista científica Nature.

Quando as plantas invasoras são removidas, a flora nativa parece tornar-se mais acessível aos polinizadores, dizem os cientistas.

O estudo de campo foi realizado em oito inselbergs, ou montes-ilha, na maior ilha das Seychelles, Mahé. Em áreas isoladas de quatro dos inselbergs, os investigadores removeram toda a flora exótica – como a caneleira e os eucaliptos –, deixando a vegetação nativa e original. A vegetação em quatro outros inselbergs não foi alterada, para ser possível uma comparação.

“Até a esta altura, contudo, não sabíamos se interferir com a vegetação desta forma teria algum efeito nos polinizadores e, por sua vez, em processos importantes dentro do ecossistema”, disse Christopher Kaiser-Bunbury, autor do estudo.


A árvore Medusagyne oppositifolia da ilha de Mahé é uma espécie nativa e está criticamente ameaçada | Foto: C. Kaiser-Bunbury

A equipa observou as plantas e contou e catalogou os animais polinizadores – abelhas, borboletas, vespas, moscas, escaravelhos, traças, pássaros e lagartos –, durante 8 meses. Os dados obtidos revelaram o impacto significativo do restauro da vegetação: as espécies de polinizadores aumentaram mais de 20% e visitaram as plantas com mais frequência. As plantas produziram mais flores, o que se correlacionou com “uma produção significativamente maior de fruta”.

“A restauração do ecossistema provocou um aumento acentuado nas espécies de polinizadores, nas visitas às flores e na diversidade de interações”, disse a equipa.

Segundo o autor do estudo, a restauração da flora nativa melhorou a qualidade da polinização. As plantas precisaram de menos visitas dos polinizadores para produzirem uma proporção maior de fruta. A interação entre as plantas e os polinizadores também se tornou mais complexa: as espécies de polinizadores foram consideravelmente menos seletivas e visitaram mais variedades de plantas.

Os investigadores sugerem que é possível que os polinizadores das florestas circundantes tenham podido regressar às áreas onde a vegetação exótica foi removida para visitar as flores nativas, que se tornaram mais fáceis de encontrar. A remoção das plantas exóticas também permitiu às plantas nativas obter mais luz, água e nutrientes.

“Os nossos resultados mostram que o restauro da vegetação pode melhorar a polinização, o que sugere que a degradação das funções dos ecossistemas é, pelo menos parcialmente, reversível.”

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