O Quénia proibiu a exportação de várias espécies de serpentes para jardins zoológicos e lojas de animais em todo o mundo.

cobra pitão africana

O Quénia proibiu a exportação de várias espécies de serpentes para jardins zoológicos e lojas de animais em todo o mundo, depois de denúncias da venda de cobras no mercado negro por causa da sua pele e carne e de relatos de maus-tratos.

As autoridades estão preocupadas com o impacto negativo que o tráfico de espécies ameaçadas está a ter nos padrões de reprodução e no próprio tamanho dos animais, especialmente no caso da serpente pitão africana.

“Os seus padrões de reprodução mudaram e os seus tamanhos quando adultas diminuíram em apenas alguns anos”, disse Patrick Kinyatta Malonza, cientista a cargo da herpetologia (estudo dos répteis e anfíbios) nos Museus Nacionais do Quénia.

“Por exemplo, a serpente pitão africana costumava crescer até aos 5 metros de comprimento; agora uma adulta mede, em média, apenas 3 metros”, contou o cientista

Como explicou ao The Guardian, há menos de 10 anos, um pitão africano costumava gerar, em média, 33 descendentes. Hoje em dia, contudo, é raro que uma fêmea chegue a gerar metade desse número.
“O constante contrabando tem sido o maior obstáculo individual”, declarou. “Ainda é pior do que a destruição do habitat. Quando se contrabandeia, também se interfere com os seus padrões de reprodução [e] de alimentação.”

Embora nunca tenha sido realizada uma contagem do número exato de pitões africanos na natureza, o cientista estima que só restem algumas centenas na África oriental.
A proibição entrou em vigor em janeiro de 2017 e afetará também as quintas de criação de cobras. As licenças emitidas para fins de investigação científica e de extração de veneno no estrangeiro também foram suspensas.

Segundo o Serviço de Vida Selvagem do Quénia, que teve um papel fulcral para a imposição desta proibição, as serpentes tinham como destino zoos e lojas de animais no Brasil, Reino Unido, República Checa, Alemanha, EUA e na China, onde o seu preço, consoante a espécie, pode ir de 95€ a 190€.

“Com as atuais leis anti-caça furtiva, a pena para quem é provado culpado pode chegar aos 20 anos de prisão”, disse John Mwangi, um advogado que tem ajudado a condenar diversos criminosos ligados ao tráfico de vida selvagem. “A corrupção ainda continua a ser um grande obstáculo uma vez que os criminosos podem facilmente usar o suborno para escapar ao cumprimento da lei.”

Foto: Hannes Steyn

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