Segundo um novo estudo do Museu Americano de História Natural, existirão 18 mil espécies de aves no mundo – quase o dobro do que se pensava.



Segundo um novo estudo do Museu Americano de História Natural, existirão 18 mil espécies de aves no mundo – quase o dobro do que se pensava. As descobertas do estudo foram publicadas na revista científica PLOS ONE e têm implicações consideráveis para o trabalho de conservação.

“Estamos a propor uma mudança significativa na forma como contamos a diversidade”, explicou Joel Cracraft, um dos autores do estudo e curador do Departamento de Ornitologia do Museu. "Este novo número diz que não temos contado e preservado as espécies das formas que queríamos."

As aves são geralmente vistas como um grupo bem estudado, estimando-se que mais de 95% da diversidade global de espécies já foi descrita. Costuma-se apontar a existência de 9000 a 10 000 espécies de aves no mundo – números que se baseiam no "conceito biológico de espécie”, um conceito que define as espécies como os animais que se podem reproduzir entre si. Segundo os autores do estudo, este é um “ponto de vista obsoleto".


Chapim-azul

O actual estudo centrou-se na diversidade "oculta", ou seja, nos pássaros com aparência semelhante ou que pareciam cruzar-se entre si, mas que afinal são espécies distintas. Para o trabalho, os investigadores do Museu, juntamente com colegas das Universidades do Nebraska e de Washington, analisaram morfologicamente amostras aleatórias de 200 espécies de aves, estudando as suas características físicas, como o padrão e a cor da plumagem – um método que pode ser usado para identificar as aves com histórias evolutivas distintas.

A equipa descobriu, em média, aproximadamente duas espécies diferentes para cada um dos 200 pássaros estudados. Sendo assim, os autores argumentam que a biodiversidade das aves tem sido gravemente subestimada e que pode estar próxima das 18 000 espécies, mundialmente.

A juntar a esta análise, a equipa também examinou estudos genéticos de aves já realizados, o que revelou que até poderão existir mais de 20 mil espécies. No entanto, devido ao facto das aves não terem sido selecionadas aleatoriamente para este estudo – de facto, muitas foram escolhidas por se acreditar que possuíam variações genéticas interessantes – este valor pode ser exagerado. Os investigadores sugerem que os futuros trabalhos de taxonomia em ornitologia sejam feitos utilizando ambos os métodos.

“Não tivemos a intenção de propor nomes novos para cada uma das mais de 600 novas espécies que identificamos nesta amostra”, disse Joel Cracraft. “Contudo, o nosso estudo oferece um vislumbre do que a taxonomia futura deve englobar.”

E o facto de existirem mais espécies do que se pensava tem implicações também para a preservação da biodiversidade. “Decidimos, como sociedade, que o alvo da conservação é a espécie”, disse um dos coautores do estudo, Robert Zink, biólogo da Universidade do Nebraska. “Por isso, precisamos mesmo de ser mais claros sobre o que uma espécie é, quantas existem e onde se encontram.”

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