Um novo estudo examina a forma como o ruído provocado pelo trânsito afeta a capacidade das aves comunicarem.



Um novo estudo da Pacific University revelou que a poluição sonora causada pelo trânsito compromete as vocalizações de alarme que as aves produzem e que são críticas para a sua sobrevivência. Segundo os investigadores, este fenómeno acontece mesmo quando as aves vivem perto de estradas apenas moderadamente movimentadas.

“Quando uma ave de rapina como um falcão ou uma coruja é descoberta, muitas espécies de aves produzem vocalizações de alarme para avisar os outros indivíduos do seu bando do perigo iminente”, explica Chris Templeton, biólogo e coautor do estudo publicado na revista científica Current Biology.

“Descobrimos que quando os chapins-reais (Parus major) são expostos ao ruído das estradas produzem vocalizações com maior amplitude, essencialmente gritando para serem ouvidos mesmo com a barulheira feita pelos carros que passam”, disse. “Quando estas vocalizações foram transmitidas a outros pássaros que viviam perto de autoestradas e quando o ruído do trânsito estava presente, descobrimos que esta ‘gritaria’ não era suficiente para superar os efeitos do barulho. Outros indivíduos do bando não conseguiram detetar estes sinais críticos, o que os poderá expor a níveis mais elevados de ataques de predadores.”

Para o estudo, a equipa norte-americana, em colaboração com investigadores do Instituto de Ornitologia de Max Planck, na Alemanha, estudou o comportamento dos chapins-reais, nomeadamente a forma como o ruído provocado pelo trânsito afeta a produção de vocalizações de alarme e o modo como os outros membros do bando respondem.

A incapacidade de detetar os sinais de aviso poderá ter consequências negativas consideráveis para os animais que vivem perto de estradas e de outras fontes de ruído antropogénico, conclui o estudo.

Outros trabalhos já tinham alertado para o impacto da poluição sonora na transmissão de informação por parte de aves e outros animais nas vocalizações dos seus rituais de cortejo.

Chris Templeton acredita, no entanto, que há esperança para remediar esta situação. O estudo aponta a existência de algumas estratégias para a diminuição do ruído nas estradas, como a modificação da composição do asfalto, dos pneus ou a colocação de barreiras acústicas. “Este tipo de modificação poderia reduzir os efeitos negativos das estradas na capacidade dos animais comunicarem.”


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