Num artigo publicado na Science, os investigadores sugeriram 10 medidas que os governos deveriam adotar para proteger os insetos polinizadores.

Abelha

Num artigo publicado na revista científica Science, uma equipa de investigadores sugeriu 10 medidas que os governos deveriam adotar para ajudar a assegurar o futuro de polinizadores como as abelhas, as borboletas e as vespas. A regulamentação de pesticidas, a aposta em sistemas agrícolas diversificados e o acompanhamento a longo prazo são algumas das medidas sugeridas.

“Três quartos das culturas alimentares mundiais tiram partido da polinização feita por animais, por isso temos de proteger os polinizadores para salvaguardar o fornecimento de alimentos nutritivos”, disse Simon Potts, coautor do artigo e professor da Universidade de Reading.

Recentemente, uma avaliação mundial levada a cabo pela IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services) confirmou que as populações dos polinizadores selvagens estão a sofrer um declínio drástico no norte da Europa e na América do Norte.

“O relatório da IPBES tornou muito claro que os polinizadores são importantes para as pessoas de todo o mundo, económica e culturalmente”, declarou Lynn Dicks, investigadora da Universidade de East Anglia que liderou o estudo publicado na Science e que também participou na avaliação da IPBES. “Os governos compreendem isto e muitos já deram passos significativos para proteger estes animais maravilhosos e importantes. Mas ainda há muito por fazer. Instamos os governos a ver as nossas propostas de ação e a considerar se podem fazer estas mudanças para apoiar e proteger os polinizadores, como parte de um futuro sustentável e saudável para a humanidade.”

“A agricultura tem um papel imenso”, explica. “Sendo que é parcialmente responsável pelo declínio de polinizadores, também pode ser parte da solução. As práticas que ajudam os polinizadores, como a gestão de paisagens de modo a que lhes providenciem comida e abrigo, devem ser incentivadas e apoiadas. Também é necessário centrar a investigação financiada pelo sector público em como melhorar a produtividade de sistemas agrícolas como a agricultura biológica, que são benéficos para os polinizadores.” A investigadora salienta ainda que melhorar as normas regulamentares dos pesticidas deveria ser uma prioridade já que existem “muitos pesticidas de uso generalizado que são inaceitavelmente tóxicos para as abelhas, pássaros e até para os seres humanos.”

As 10 políticas sugeridas pelos cientistas são:

  1. Melhorar as normas regulamentares dos pesticidas
  2. Promover a gestão integrada das pragas
  3. Incluir os efeitos indiretos e subletais nas avaliações de risco das culturas transgénicas (OGM)
  4. Controlar a circulação dos polinizadores que estão a ser seguidos
  5. Desenvolver incentivos, como regimes de seguros, para ajudar os agricultores a tirarem partido dos serviços ecossistémicos em vez dos agroquímicos
  6. Reconhecer a polinização como um insumo agrícola nos serviços de extensão rural
  7. Apoiar sistemas agrícolas diversificados
  8. Preservar e restabelecer a “infraestrutura verde” (uma rede de habitats entre os quais os polinizadores se podem deslocar) em paisagens agrícolas e urbanas
  9. Desenvolver o seguimento a longo-prazo dos polinizadores e da polinização
  10. Financiar investigações participativas sobre como melhorar a produtividade na agricultura biológica, multifuncional e com intensificação ecológica

“O mundo está a despertar para a importância de se protegerem estes polinizadores vitais”, afirmou Simon Potts. “Temos esperança que indo um passo mais além e implementando estas políticas (…), consigamos encorajar os decisores políticos a agir antes que seja tarde demais."

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