A 2ª fábrica no mundo que produz mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados abriu no final de outubro em Piracicaba, no Brasil.

Aedes aegypti

A segunda fábrica no mundo que produz mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados abriu no final de outubro na cidade de Piracicaba, no Brasil. Este inseto também chamado “Aedes do bem” é produzido pela empresa Oxitec, em parceria com o município.

Os mosquitos transgénicos machos quando soltos na natureza reproduzem-se com as fêmeas selvagens e transmitem uns genes que impedem que as larvas se tornem adultas. Estão a ser produzidos 20 milhões por semana, de acordo com a Oxitec, sendo que o mosquito já está a ser usado em Piracicaba desde julho de 2015.

Como a fábrica diz, “é como se fosse uma fábrica de biscoitos ou parafusos, só que produzimos mosquitos”. A empresa garante que não tem efeitos negativos para a natureza ou para os humanos.

Christophe Noisette, representante da ONG francesa InfoGM, critica a utilização de mosquitos transgénicos no combate ao dengue e outras doenças transmitidas pelo aedes aegypti. Segundo o mesmo, “os estudos fornecidos pela Oxitec não são públicos ou estão incompletos", conta o RFI.

De acordo com a ONG, a eficácia do mosquito é também discutível. Num projeto-piloto entre 2013 e 2015, em Jacobina, na Baía, a empresa afirmou ter diminuído em 92% os casos de dengue, mas a organização francesa contou que, em poucos meses depois dos mosquitos terem sido libertados, o município declarou estado de emergência por causa da doença.

Experiências semelhantes foram também interrompidas na Malásia e nas ilhas Caimão, devido a resultados questionáveis. A ONG lembra também que “estes mosquitos são financiados pelas autoridades públicas. É o Ministério da Saúde que decide ou não em investir nesta tecnologia". "A questão que colocamos é se, com este investimento, não poderíamos ter implementado uma política de saúde pública duplamente útil", afirma Noisette. "Sabemos, por exemplo, que o mosquito se reproduz principalmente nos reservatórios de água. É um local que favorece a transmissão da doença. Em vez de investir milhões para beneficiar uma empresa, não seria mais pertinente reforçar o sistema de canalização para evitar que os mosquitos se reproduzam nos reservatórios?, questiona.
A ONG explicou que algumas larvas transgénicas conseguem sobreviver e não se sabe o que acontecerá aos animais geneticamente modificados que sobreviverem.


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