33 novos projetos de agricultura urbana vão dar uma nova vida a telhados, muros e espaços degradados de Paris.



A Câmara de Paris selecionou 33 projetos de agricultura urbana na cidade que darão uma nova vida a telhados, muros, estacionamentos abandonados e espaços degradados.

O concurso Pariculteurs recebeu 144 propostas para reaproveitar zonas da cidade e foram escolhidas aquelas que se apresentaram mais inovadoras e com um maior potencial de produção de alimentos, de geração de empregos e de valorização dos bairros. Os produtos agrícolas serão vendidos na própria região, através do comércio local para evitar a poluição causada pelo transporte.

Nos telhados de Paris vão nascer hortas, pomares e até colmeias. A secretária de Espaços Verdes, Pénélope Komitès, afirma que este é um novo modelo urbano, mais sustentável. “A presidente da Câmara de Paris pretende que, no fim do mandato, em 2020, se tenham cerca de 100 ha com telhados verdes na cidade, com 30 ha de agricultura urbana”, explica Komitès. “Não é apenas possível como pode ser também rentável.”

Uma horta subterrânea

Uma das propostas é a da Cycloponics, que pretende instalar uma horta subterrânea num antigo estacionamento, que vai ocupar os 3000 metros quadrados que antes eram ocupados por centenas de carros. A iluminação artificial vai garantir a produção de cogumelos e de rebentos. No projeto vão utilizar também a compostagem. “É compostagem que vem da região parisiense e, desta forma, vamos reciclar o lixo orgânico da cidade. Também vamos instalar uma “champignonière”, uma produção de cogumelos, que se vão desenvolver numa mistura de borras de café recicladas”, explica o engenheiro Jean-Noël Gertz, um dos fundadores da start-up. “Vamos produzir rebentos que poderão ser vendidos a restaurantes do bairro ou a moradores do próprio prédio.”

As pessoas que vão trabalhar no local serão, preferencialmente, moradores do próprio prédio, que possui apartamentos sociais. Com este projeto, Gertz espera contribuir para a recuperação desta área pouco apreciada do bairro. “São estacionamentos velhos (…) que acabaram por ficar abandonados. As pessoas têm medo de vir a este espaço, pois podem ser vítimas de vandalismo”, conta. “Nós tentamos revalorizar estes lugares de uma maneira social e solidária: colocamos biodiversidade onde jamais a poderíamos imaginar.”

Uma horta hidropónica

A Green’Elle vai nascer num antigo reservatório de água desativado desde 1970. O projeto vai instalar estufas de hidroponia. “Vai ser melhor do que biológico! É claro que vou seguir as recomendações para o selo biológico, sobre o uso de agrotóxicos, mas quando digo que é ainda melhor é porque não utilizamos nenhum tipo de adubo químico, pois virá naturalmente dos excrementos de peixes que são transformados pelo sistema de bactérias”, conta Roux. “Além disso, usamos 90% menos água do que numa plantação normal de legumes.”

A Câmara de Paris avalia que o potencial da produção é de até 500 toneladas de alimentos por ano, a maioria frutas e legumes. Os projetos terão início em 2017. Para esse ano já está marcado um 2º concurso Pariculteurs, que irá selecionar os novos empreendedores da agroecologia parisiense, conta o RFI.

Veja todos os projetos aqui









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