O UniPlanet falou com a brain-e, uma start-up portuguesa que quer ajudar os consumidores a poupar energia.



A brain-e é uma start-up portuguesa que quer ajudar os consumidores a poupar energia, através de uma plataforma online. Esta start-up foi criada com base em valores de sustentabilidade e de sensibilização dos consumidores relativamente ao ambiente e ao impacto que podem ter ao poupar eletricidade. Para os criadores da brain-e, o mundo da energia está a mudar e será cada vez mais descentralizado, um mundo onde os consumidores finais irão produzir energia para consumo próprio e também para vender.

Falámos com Maria Henriques, do Departamento de Marketing da brain-e, que nos deu a conhecer melhor esta empresa.


UniPlanet (UP): Boa tarde, Maria Henriques. Pode falar-nos um pouco sobre a brain-e?

A brain-e é uma plataforma (em constante melhoria e desenvolvimento) dirigida a todos os consumidores de eletricidade, para os ajudar a gerir a sua conta de eletricidade, ao ter acesso aos seus consumos em tempo real. De uma forma simples. Em comunidade. E com desafios à mistura. Gerir é poupar dinheiro ao fim do mês, mas é também consumir (e produzir) de forma inteligente para poupar, contribuir, e ter um impacto positivo no ambiente.


UP: Como surgiu a ideia para este projeto?

A ideia de desenvolver esta start-up teve a sua génese há três anos atrás. Foi a preocupação com a sustentabilidade e a vontade de enfrentar os desafios relativos ao consumo de energia nos dias de hoje que nos fizeram avançar com este projeto. O papel das pessoas como consumidoras é crítico neste contexto e, por isso, criamos uma plataforma que lhes dá maior controlo sobre aquilo que consomem e que querem poupar. A partir daí foi criada uma equipa heterogénea, cujos conhecimentos de software, design e marketing se unissem para criar um modelo de negócio que preenchesse as necessidades dos consumidores.


UP: Poupar energia é um dos objetivos da brain-e. De que forma é que esta plataforma ajuda os consumidores a consegui-lo?

O modo como funciona é simples: basta o utilizador registar-se na plataforma online e ligar um medidor de energia em sua casa (o qual terá que adquirir a preço de mercado). Deste modo terá acesso à informação de quanto está a gastar em tempo real e, assim, cada um em particular, saberá o que será mais indicado para poupar energia comparando os números com os horários e em diferentes dias. Para além disso a nossa plataforma permite desenvolver interação entre os consumidores através de uma série de desafios que, na nossa opinião, é um fator essencial para manter os utilizadores entusiasmados e com vontade de poupar cada vez mais!


UP: Referem a possibilidade dos utilizadores desafiarem amigos e vizinhos. Pode explicar-nos um pouco melhor como isso funciona? De que outras formas pretendem envolver a comunidade?

Os nosso utilizadores poderão participar em desafios e ganhar pontos, sendo possível desafiar amigos e vizinhos a poupar energia e através desses desafios construir uma comunidade virtual. Por qualquer destas ações ganham pontos que poderão trocar por prémios ou descontos patrocinados pelos nossos parceiros. Estes pontos tem uma relação direta com a redução em emissões de CO2, sendo que os nossos parceiros convertem a redução de emissões de CO2 em pontos e consequentemente em benefícios para os utilizadores.

Assim, a nossa plataforma apresenta três tipo de desafios: de poupança, consumo e cooperação:
  1. Desafios de poupança de energia, nos quais compete com outros utilizadores para poupar energia;
  2. Desafios de consumo, onde poderá competir de modo a consumir mais energia no momento, poupando-a mais tarde (quando os custos forem maiores);
  3. Desafios de cooperação, nos quais se une a outros utilizadores para que o consumo conjunto se mantenha abaixo de um certo nível.
As comunidades permitem que juntos poupemos mais energia – porque em conjunto tudo se torna mais fácil. Além disto, estas comunidades permitem aos consumidores residenciais ter mais peso e mais poupança agregada, já que há mais pessoas com o mesmo objetivo.


UP: Quanto é que as pessoas podem poupar anualmente com a brain-e?

A nossa plataforma, ao dar aos utilizadores a possibilidade de monitorizar o seu consumo de energia, permite que estas acompanhem a redução nas suas faturas elétricas, que fará cada vez mais diferença ao longo dos anos.
Anualmente os consumidores poderão poupar, em média, 10% de eletricidade apenas reduzindo consumos. Isto significa €60/ano se a conta mensal for de €50, €120/ano se a conta mensal for de €100, ou ainda €240/ano se a conta mensal for de €200.

Estes números poderão ser ainda maiores se o utilizador participar nos nossos desafios! Em cada desafio ganhará pontos que pode trocar por prémios – quantos mais pontos ganha mais prémios tem, além de gastar menos nas suas contas de eletricidade! O nosso grande objetivo é fazer com que os utilizadores da brain-e poupem até 20% dos seus consumos de energia anuais.


UP: Qual foi o maior desafio para a criação desta plataforma online?

O maior desafio na criação da plataforma foi tentar compreender qual seria a melhor forma de promover um consumo de energia mais inteligente e eficiente - que traga poupanças aos consumidores e promova a eficiência energética do sistema como um todo. Isto junto de um consumidor que não está inclinado para isso. O brain-e pretende resolver este desafio através da oferta de vários incentivos, quer através de simplificação de informação, da criação de um mecanismo de desafios a que queremos associar recompensas para além da poupança de energia, e do envolvimento em comunidades. Esperamos que o brain-e resolva o desafio a que se propôs, e que leve os consumidores domésticos a terem uma atitude mais proativa na gestão dos seus consumos.


UP: Para terminar, pode falar-nos um pouco sobre a equipa da brain-e?

A nossa equipa é heterogénea. Temos competências em várias áreas - desde Design, Gestão, Marketing, Ciências Sociais - e temos muita experiência no desenvolvimento de software. Sempre estivemos preocupados com desafios de sustentabilidade e pensamos que o papel das pessoas enquanto consumidoras será cada vez mais crítico para enfrentar estes desafios. Quando notámos que o mercado de energia estava pronto para uma disrupção tecnológica, tivemos a vontade, o conhecimento, e a oportunidade para contribuir para uma mudança. Somos pragmáticos, e pusemos as mãos à obra para contribuirmos para a utilização de recursos mais eficiente. Sabemos que este contributo será tanto maior quanto maior for o impacto que tivermos.


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