Um estudo da Universidade de Oxford descobriu que os pássaros nidificam perto das aves do bando com quem passaram o Inverno.

Chapim real

Um estudo da Universidade de Oxford descobriu que os casais de chapins-reais constroem os seus ninhos, na Primavera, perto das aves do bando com quem passaram o Inverno e que organizam os limites dos seus territórios de modo a que os seus “melhores amigos” – os pássaros com quem estabeleceram os laços sociais mais fortes – sejam seus vizinhos.

Este estudo sobre as redes sociais das aves, publicado no jornal científico Ecology Letters, traz assim novas perspectivas às interações sociais dos pássaros e ao modo como estas interações podem influenciar outros aspetos da vida dos animais selvagens.

“Os chapins-reais que estudamos são um bom modelo geral para muitas outras espécies de aves. Formam grandes bandos no Inverno, quando estão à procura de alimento, e depois cada casal escolhe um único local de nidificação fixo, onde vai permanecer ao longo da Primavera, enquanto constrói um ninho e cria os seus filhotes”, conta o autor do estudo, Josh Firth, do Departamento de Zoologia da Universidade.
Eles parecem escolher os locais onde nidificam na Primavera, de forma a ficarem próximos das aves do bando [com quem passaram] o Inverno. Não só nidificam mais perto das aves com quem estabeleceram os laços sociais mais fortes no Inverno, como também parecem organizar os seus territórios de modo a partilharem limites de habitação com essas aves."

Os investigadores utilizaram dados sobre milhares de chapins-reais selvagens, identificados por radiofrequência, recolhidos ao longo de três anos. Esta informação permitiu-lhes determinar as aves pertencentes a cada bando, durante o Inverno, e a proximidade com que, subsequentemente, se instalaram na estação seguinte.

“Para além de nos dar a conhecer o comportamento social das aves, também tem implicações interessantes para outros aspetos da biologia. Por exemplo, a localização do ‘lar’ de um animal determina os fatores ambientais, como as condições meteorológicas, em que este vai viver. Portanto, uma vez que parecem basear as suas escolhas de localização nos seus laços socias, isto indica que as suas associações sociais prévias podem contribuir para o ambiente e as condições a que estarão sujeitos no futuro”, explica Josh Firth, acrescentando que esta escolha também pode trazer consigo benefícios. “Sabemos que pássaros que se conhecem têm mais probabilidade de cooperar para afastar os predadores e isto também poderá reduzir a quantidade de energia gasta em interações competitivas, se os indivíduos exibirem um comportamento menos agressivo em relação a vizinhos conhecidos”, conclui.
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