As abelhas sabem contar até 4, têm memórias, preferências e conseguem ensinar habilidades novas ao resto da colmeia, mostram vários estudos.

zangão

Podem ter cérebros do tamanho de uma semente de sésamo, mas afinal as abelhas são bem mais espertas do que a maioria pensa.
“Sabíamos que as abelhas possuem capacidades cognitivas fantásticas, disse Clint J. Perry, biólogo da Universidade Queen Mary de Londres. “Conseguem contar até 4. Conseguem percorrer ambientes incrivelmente complexos e têm memórias e preferências relativamente a flores. [Também] demonstram emoções positivas.”

O estudo de Clint J. Perry, publicado na revista científica PLOS Biology, deu a conhecer ao mundo mais um talento destes pequenos polinizadores: conseguem aprender habilidades novas observando outras abelhas.
A equipa de investigadores fez esta descoberta depois de ter ensinado a alguns zangões uma habilidade nova, que eles não aprenderiam, normalmente, na natureza: puxar uma corda para libertar um disco, colocado debaixo de uma placa de acrílico, até chegarem ao néctar dentro do disco.



Esta aptidão foi ensinada através de um processo de 4 etapas, com direito a pausas para dormir, e a maioria das abelhas demorou, em média, 5 horas a aprendê-la.

Este diagrama mostra como as abelhas aprenderam a habilidade através de tarefas progressivamente mais difíceis e o tempo que demoraram a alcançar o açúcar em cada etapa. Fonte: PLOS Biology


Os pequenos insetos não só conseguiram dominar esta técnica complicada, como também foram capazes de passar este conhecimento ao resto da colmeia, conta o Motherboard.
Os investigadores colocaram uma abelha “observadora” numa pequena divisão perto de um zangão treinado, para que ela o visse a realizar a tarefa diversas vezes. Ao fim de observarem a tarefa ser repetida 10 vezes, as abelhas “estudantes” foram libertadas e 60% delas conseguiram resolver o quebra-cabeças em 5 minutos.
O conhecimento também foi passado simplesmente através do convívio com as abelhas treinadas, embora, neste caso, tenha demorado mais tempo. Assim que uma abelha aprendia o truque, passava a ser, por sua vez, uma abelha instrutora, demonstrando como o fazer às que ainda não o sabiam.

O estudo mostra, deste modo, que nem sempre é necessário um cérebro grande para funções cognitivas complexas e que alguns dos comportamentos de aprendizagem que consideramos complexos são, de facto, bastante simples, podendo ser adquiridos até mesmo por pequenas abelhas.

Clint J. Perry espera que o seu trabalho prove ainda mais um ponto: que estes animais são muito mais incríveis do que as pessoas se apercebem.
“O declínio que se tem verificado, um pouco por todo o mundo, tanto de abelhas e zangões, como dos polinizadores em geral é um problema sério”, afirmou. “Uma das nossas esperanças é que as pessoas passem a ter uma perspetiva diferente em relação às abelhas e aos insetos. Eles são mais do que máquinas de comportamento rígido. Têm estas capacidades cognitivas complexas e talvez isto possa ajudar o nosso trabalho de conservação porque as pessoas os verão como indivíduos com memórias e preferências e não apenas como um incómodo.”
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