A cada 7 segundos uma menina com menos de 15 anos casa com um homem mais velho.



A cada 7 segundos uma menina com menos de 15 anos casa com um homem mais velho, deixando-a vulnerável a abusos sexuais e à violência doméstica, concluiu a organização não-governamental Save the Children, no relatório "Every last girl: free to live, free to learn, free from harm", publicado dia 11 de outubro.
O casamento de crianças com 10 anos com homens muito mais velhos predomina em países como o Afeganistão, o Iémen, a Índia e a Somália.

O relatório elaborou um índice de oportunidades das raparigas avaliando 144 países de acordo com parâmetros como a educação, o casamento infantil, a gravidez na adolescência, a mortalidade no parto e o número de mulheres no parlamento e classificou os países do melhor para o pior país onde se pode ser rapariga. O 1º lugar é ocupado pela Suécia. Portugal encontra-se no 8º lugar, à frente da Suíça, da Itália, da Espanha e da Alemanha. Os países com a pior classificação são a Somália, o Mali, a República Centro-Africana, o Chade e o Níger.

De acordo com o relatório, em países onde há conflitos, muitas famílias preferem casar as filhas menores para as protegerem da pobreza e da guerra. A pobreza, a guerra e as crises humanitárias são os principais fatores que promovem estes casamentos.
Helle Thorning-Schmidt, diretora da Save the Children, afirma que o casamento infantil nega direitos básicos, como o de aprender e o de ser criança. "As meninas que casam muito cedo não podem ir à escola e apresentam mais riscos de sofrer violência doméstica, abusos sexuais e violações. Engravidam antes de o corpo estar completamente desenvolvido, o que é prejudicial tanto para a saúde das raparigas como dos bebés e estão expostas a doenças sexualmente transmissíveis, como a sida", explica.

Relatos

Sahar, Khadra e Tamrea são nomes fictícios, criados pela Save the Children, para proteger as suas identidades.
"Tinha-o imaginado um dia de festa [o casamento], mas foi miserável. Sentia-me mal, estava muito triste". Sahar tem 14 anos e está grávida de dois meses. Sou uma criança a ter de cuidar de uma criança, afirmou. Casou há um ano e é oriunda da Síria. A guerra levou-a a fugir para o Líbano e o pai obrigou-a a casar.

Khadra queria ser médica, mas o pai obrigou-a a casar, aos 15 anos, com um homem de 30. Teve de parar de estudar e, depois de um ano a sofrer violência doméstica, conseguiu fugir. Soube então que estava grávida e já não pôde voltar à escola.

Tamrea foi forçada pelo pai a casar aos 12 anos, engravidou e o marido abandonou-a. A menina esteve em trabalho de parto durante 6 dias e deu à luz em casa. Hoje em dia, Tamrea aconselha outras jovens, para que não passem o mesmo que passou e acredita que se as raparigas forem para a escola podem ter uma vida melhor.

Atualmente, há cerca de 700 milhões de crianças que foram obrigadas a casar com menos de 18 anos, e segundo a UNICEF, este valor passará para os 950 milhões em 2030, se nada for feito para contrariar esta situação.

Fontes: JN e Tvi24
Foto: Danish Siddiqui/Reuters
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