Iniciativa defende que multinacionais suíças devem responder em solo suíço por abusos de direitos humanos e de violações ambientais.

Konzernverantwortungs

Uma iniciativa lançada pela sociedade civil, em abril de 2015, pede mais respeito por parte das empresas multinacionais suíças em relação aos direitos humanos e à proteção ambiental. A Iniciativa “Konzernverantwortungs-initiativedefende que uma multinacional suíça deve responder em solo suíço pelos abusos dos direitos humanos e das violações ambientais nas suas operações globais, causados no exterior por empresas que estejam sob o seu controlo. Foram recolhidas assinaturas e em outubro deste ano a proposta vai ser levada ao governo.

É surreal que em 2016 ainda se fale em trabalho escravo; no entanto, são frequentes as notícias que expõem estes casos. Uma investigação da dinamarquesa Danwatch do início de 2016 revelou que na indústria brasileira do café ocorrem casos de trabalho escravo e o uso excessivo de pesticidas sem proteção adequada, que envolve marcas como a suíça Nestlé e a Jacobs Douwe Egberts.

Guido Palazzo, professor na Universidade suíça de Lausanne, numa entrevista, ao swissinfo explicou que “temos corporações globais, rede de fornecedores globais, mas não temos leis globais para esses participantes globais. As empresas podem trabalhar em regiões em que o governo interfere pouquíssimo nas atividades, ou em áreas em que o governo é corrupto ou repressor. (…) No caso das plantações de café, muitas empresas afirmam que o controlo e punição das péssimas condições nas plantações é um trabalho do governo. E, infelizmente, em muitos destes países as leis não funcionam, o controlo não é feito, há muita corrupção. Os governos, muitas vezes, não fazem o seu trabalho e as empresas estão relutantes em fazer o trabalho do governo. E a pressão está a aumentar para que as empresas o façam.”

Para contrariar estas situações as corporações estão a impor códigos de conduta para as fábricas e as plantações e fazem vistorias para verificar se as regras são cumpridas, através de visitas surpresa aos seus fornecedores ou de parcerias com ONGs, mas que são por vezes ineficazes para detetar estas situações nas linhas de produção e nas plantações. Por outro lado, estas empresas fazem pressão para terem sempre preços mais baixos e para aumentarem a velocidade da produção criando assim muitos dos problemas a que assistimos.

“Há corporações que já entenderam que se querem que os seus fornecedores operem de acordo com as suas regras, terão que estabelecer uma relação a longo prazo”, diz Guido Palazzo, acrescentando que estas devem trabalhar, por exemplo, diretamente com os agricultores. Novos modelos de negócio, como o movimento B Corp, Empresa Social, estão a mostrar que é possível combinar aspetos ambientais, sociais e económicos e encontrar um equilíbrio entre estes. No entanto, enquanto os consumidores não se preocuparem com as questões éticas e as empresas se concentrarem apenas nos lucros, estas mudanças irão demorar mais tempo. Quando compra uma t-shirt a 2 euros está, muito provavelmente, a contribuir para uma produção que não respeitou as condições dignas das pessoas que a produziram. Uma notícia recente dava conta das más condições de trabalho de quem extrai os minerais raros usados nos iPhones.

O consumismo atual tem consequências em várias partes do globo como, por exemplo, na China: água tóxica, ar poluído e comida contaminada.
A mudança só virá com novas legislações e quando os consumidores derem preferência às empresas que têm uma atitude ética e sustentável. Segundo o Movimento Lowsumerism uma pergunta que pode fazer quando for às compras é: “Será que preciso mesmo desta t-shirt?”.

Fonte: swissinfo
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