Na opinião de um dos principais especialistas em pandas, a reclassificação da UICN foi uma decisão precipitada.

Panda

A UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) tirou, recentemente, o panda gigante da sua lista de espécies ameaçadas, reclassificando-o como “vulnerável”, graças aos números crescentes das populações selvagens, que são fruto de décadas de trabalho de proteção. Segundo o governo chinês, o número de pandas gigantes em estado selvagem, na China, aumentou de 1100, em 2000, para 1864, no final de 2015. No entanto, Zhang Hemin, do Centro de Conservação e Investigação da China, conhecido no país como “o pai dos pandas”, considera esta uma decisão precipitada, tendo em conta que estes animais ainda enfrentam ameaças sérias.

“As vidas dos pandas ainda estão ameaçadas por um habitat natural severamente fragmentado; a transferência genética entre populações diferentes vai melhorar, mas ainda não é satisfatória”, afirmou.
A população selvagem de pandas gigantes enfrentou uma perda de diversidade genética ao ser dividida em 33 grupos isolados, alguns dos quais com menos de 10 espécimes, explicou o conservacionista. Dessas 18 subpopulações com menos de 10 pandas, todas enfrentaram “um risco elevado de colapso”.

Na sua opinião, a espécie só poderá ser considerada “menos ameaçada”, quando a população selvagem conseguir crescer de forma constante sem a adição de pandas criados em cativeiro, conta a Reuters. O conservacionista teme que, com esta reclassificação, “o trabalho de proteção possa afrouxar e [que] tanto a população de pandas como o seu habitat tenham mais probabilidade de sofrer perdas irreversíveis”. “Os atuais resultados de conservação obtidos serão perdidos e algumas subpopulações pequenas poderão desaparecer.”

Para Shi Xiaogang, da Reserva Natural Nacional de Wolong, o principal centro de conservação de pandas da China, os pandas ainda requerem proteção contínua. “Como conservacionistas, sabemos que a situação do panda gigante ainda é muito arriscada”, declarou.
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