A Dinamrca tem mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer outro país europeu.

Casas na Dinamarca

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre um quarto e um terço de toda a comida é perdida ou desperdiçada, todos os anos, o que a organização considera “um excesso numa época em que quase mil milhões de pessoas passam fome”. Deitar fora comida é, assim, um desperdício do trabalho, água, energia, terra e outros recursos usados na produção da mesma.
Para lutar contra este problema, o governo dinamarquês tem procurado ativamente soluções.

"Stop Spild Af Mad"

A Dinamarca, cuja população ronda os 5,7 milhões de habitantes, tem mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer outro país europeu. Estes projetos têm dado resultado: desde 2010, o país conseguiu reduzir um quarto do desperdício alimentar produzido. E no centro desta luta está a organização não governamental Stop Spild Af Mad (“Parem de Desperdiçar Comida”) e a sua fundadora, Selina Juul.
“É uma iniciativa, essencialmente, da base para o topo”, explica a ativista, que tem conseguido atrair para a sua causa milhares de dinamarqueses. “Nós mobilizamos as pessoas, depois elas mobilizam a indústria e os supermercados, os refeitórios e os restaurantes.”
O governo dinamarquês estabeleceu um programa de subsídios para projetos que visem a luta contra este problema, com um financiamento de cerca de 670 mil euros. “O desperdício torna-nos a todos mais pobres”, declarou o ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Kristian Jensen. Estima-se que, globalmente, o desperdício alimentar cause uma perda de até 850 mil milhões de euros, todos os anos. O lixo não é realmente lixo, afirma Selina Juul. “Reduzi-lo é a chave para a futura sobrevivência da humanidade.”



Diversas frentes de combate

Cada vez mais supermercados dinamarqueses têm “zonas para acabar com o desperdício alimentar”, com alimentos perto do fim da validade a preços reduzidos. Legumes “feios” são usados em saladas.
A startup Too Good To Go aposta nas refeições que não foram vendidas e um app liga os consumidores a restaurantes e padarias prestes a fechar, para que possam comprar produtos a preços reduzidos.
No supermercado WeFood, em Copenhaga, todos os produtos vendidos estão perto do fim da validade e têm descontos que variam entre 30% e 50%.
Existem ainda os “OCNIs”. “Um em cada dois dinamarqueses tinha um OCNI, um ‘objeto congelado não identificado’ no seu congelador”, explica Selina Juul. “Por isso fizemos uma campanha para que os consumidores comam, uma vez por mês, os seus OCNIs.”

“Não há qualquer razão para que tanta comida seja perdida e desperdiçada”, disse à DW Andrew Steer, presidente e CEO do Instituto Mundial de Recursos, que, juntamente com outras entidades, impulsionou uma nova estratégia: o primeiro padrão global de medição para o desperdício alimentar. “Para reduzirmos com sucesso o desperdício alimentar em metade, precisamos de adotar uma abordagem sistemática”, defende. A iniciativa é apoiada pelo governo dinamarquês.

A comida une as pessoas

Selina Juul já é um ícone nacional, tendo sido galardoada com o Womenomics Influencer Award de 2016 e nomeada, em 2014, “Dinamarquesa do ano”. Juntamente com o seu grupo, planeia alargar o seu trabalho a outros países. O seu sonho é que este zelo pela comida se possa tornar uma ferramenta para a paz mundial.
“Quando se trata de desperdício alimentar, não importa se se é rico ou pobre, de esquerda ou de direita, não interessa a cor, nacionalidade ou religião – as pessoas concordam”, defende. A comida é mesmo aquela causa que une as pessoas. A comida é amor. Se deitarmos fora comida, estamos a deitar fora amor.”
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