Permanecer calmo ao pé de pessoas que nos aborrecem não é uma tarefa fácil, mas é algo que pode ser aprendido.

Sociedade

Permanecer calmo ao pé de pessoas que nos aborrecem não é uma tarefa fácil, mas é algo que pode ser aprendido.



Transcrição do vídeo:

‘Uma das maneiras de nos acalmarmos em situações complicadas é distinguirmos o que alguém nos faz do que realmente pretendia fazer – as suas intenções ou motivos.
Normalmente, temos dificuldade em perceber os motivos de alguém durante incidentes que nos frustram; facilmente nos enganamos e vemos intenções que não existem. A razão porque saltamos rapidamente para conclusões negativas e vemos razões para nos insultarem e ferirem é um fenómeno psicológico.
Quanto menos gostamos de nós próprios mais facilmente, a nosso ver, nos tornamos bons alvos para que gozem connosco e nos prejudiquem.
Porque é que as obras lá fora tinham de começar assim que começamos a trabalhar?
Pensamos que logicamente o mundo está contra nós, que somos os alvos perfeitos para este tipo de situação ou, ainda, que o merecemos.
Quando carregamos um passado de desprezo em relação a nós próprios, a operar inconscientemente, encontramos constantemente confirmações no mundo de que somos realmente as piores pessoas tal como já achávamos que éramos. Esta expetativa é quase sempre “programada” na infância quando alguém que nos era próximo nos fez sentir errados, maus e culpados e, como resultado, agora caminhamos na sociedade à espera do pior, não porque é verdade ou porque é agradável, mas porque nos soa familiar. E, como somos prisioneiros de padrões do passado, não percebemos o que se passa.

Ficaríamos mais calmos ao pé de adultos, se decidíssemos usar a estratégia que usamos ao pé das crianças. As crianças pequenas, às vezes, agem de uma forma irritante, gritam e deitam a comida ao chão, mas raramente nos sentimos pessoalmente magoados com o seu comportamento e a razão porque isto acontece é porque não lhes atribuímos motivos negativos ou más intenções.
Procuramos sempre a razão mais benévola possível, como, por exemplo, ‘está apenas cansado’, ‘os seus dentes estão a começar a nascer’ ou ‘está irritado pela chegada do novo irmão’. Temos um vasto repertório de explicações alternativas prontas na nossa cabeça e nenhuma faz com que entremos em pânico ou fiquemos muito agitados.

Isto é o oposto do que acontece com os adultos. Se alguém nos passa à frente na linha do aeroporto é porque se está a aproveitar de nós. Contudo, se usássemos a fórmula que usamos para as crianças, as primeiras suposições seriam muito diferentes. Pensaríamos que talvez não tenha dormido bem, que tem dores nos joelhos ou que está triste com alguém amado.

O filósofo francês Émile Chartier, conhecido como Alain, foi também um professor francês do início do século XX, e criou uma fórmula para se acalmar a si próprio e aos seus alunos ao pé de pessoas irritantes.
“Nunca diga que as pessoas são más”, escreveu. Apenas “precisamos de encontrar o alfinete. O que ele queria dizer era que tínhamos que encontrar a origem da dor de alguém que o leva a comportar-se de tal forma. Então, teríamos que imaginar que está a sofrer nos bastidores, numa área qualquer que não conseguimos ver. Amadurecer significa aprender a imaginar esta zona de dor, mesmo que pareça que não existe nenhuma evidência para tal. Podem não aparentar estar irritados, podem ser orgulhosos e cheios deles próprios, mas o alfinete tem de estar lá algures ou não estariam a magoar-nos.
Quando os outros nos magoam temos de imaginar o tumulto, o desapontamento, a preocupação e a tristeza por trás das suas aparências agressivas. Precisamos de encontrar a compaixão em lugares inesperados, naqueles que nos irritam mais.’
Partilha:

Comentários:

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.