A Suíça tornou-se o 1º país do mundo a votar num rendimento básico incondicional, lançando o debate sobre o RBI por todo o mundo.



A Suíça tornou-se o primeiro país do mundo a votar a criação de um rendimento básico incondicional (RBI) – um rendimento regular atribuído a todos os cidadãos, independentemente da sua condição laboral ou económica.

Embora as sondagens realizadas indicassem a fraca probabilidade do referendo passar, os apoiantes da campanha – que estavam conscientes desta realidade – consideraram-no, mesmo assim, uma oportunidade chave para divulgar o conceito de um rendimento básico. Ao crescer a sensibilização sobre este conceito, também cresce o apoio ao mesmo. “O principal objetivo da campanha suíça foi o de educar o público”, defende Jim Pugh, cofundador do The Universal Income Project, no Quartz. A campanha aumentou o apoio ao rendimento básico na Suíça e desencadeou debates à volta do mundo.”

Segundo uma sondagem recente da DemoScope, de janeiro de 2016, 59% dos inquiridos com menos de 35 anos acreditam que o rendimento básico se tornará uma realidade na Suíça. Os jovens parecem apoiar entusiasticamente o rendimento básico universal – o que o torna numa probabilidade política nas próximas décadas, argumenta.
O rendimento básico tem vindo a ganhar apoio e popularidade entre economistas e empresários de renome. Na opinião destes, o RBI combate a pobreza, ao mesmo tempo que assegura uma classe média forte, uma vez que todos recebem um aumento no seu rendimento. Os apoiantes do conceito vão desde o prémio Nobel da Economia de 2015, Angus Deaton, ao cofundador do Facebook, Chris Hughes, assim como investidores em capital de risco de todo o mundo.

Perante a iminência de um futuro cada vez mais automatizado, em que inúmeros postos de emprego deixarão de existir, um rendimento básico surge, na opinião de várias figuras do Silicon Valley, como uma medida essencial.

"O rendimento básico impulsiona a inovação ao permitir às pessoas correr riscos, iniciar negócios e deixar empregos nos quais não se enquadram”, afirma o cofundador da The Universal Income Project, responsável por maratonas criativas que visam sensibilizar a população e aumentar o apoio ao RBI.

Os votos, a 5 de junho, na Suíça, fomentaram discussões sobre o RBI em vários países. “A campanha suíça provou que os referendos e votações são uma tática de educação extremamente eficiente sobre o rendimento básico universal e que hoje é apenas o início de um novo despontar para o rendimento básico."

"Enquanto os governos e empresas nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Finlândia, entre outros, testam e debatem o rendimento básico, é de esperar que se veja muito mais sobre o tópico. Ao piorar a desigualdade salarial, aumentar a automação, ao se tornarem adultos os 'Millennials', estou confiante de que um rendimento básico universal se tornará uma solução clara para os problemas crescentes dos nossos dias”, declara.
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