Os sem-abrigo de Paris sabem onde ir para receber refeições gratuitas ou para ter acesso a um WC, graças a um projeto solidário.


Foto: Charles Platiau / Reuters

Os sem-abrigo do 11º arrondissement de Paris sabem aonde ir para receber uma refeição gratuita ou para ter acesso a uma casa-de-banho, graças a uma iniciativa que liga as lojas e estabelecimentos locais aos residentes mais necessitados.
Fundado por Louis-Xavier Leca, em Novembro de 2015, o projeto Le Carillon, distribuiu, por cerca de 70 pequenas empresas no 11º arrondissement de Paris, autocolantes que mostram o seu apoio aos parisienses mais necessitados.
Em cada autocolante há um ícone que representa um serviço gratuito, desde uma refeição quente ou um copo de água a um corte de cabelo ou o acesso a um WC. Na casa de chá “Chez toi ou chez moi”, os sem-abrigo podem carregar os seus telemóveis, usar um kit de primeiros-socorros ou enviar emails gratuitamente. No supermercado “Les poireaux de Marguerite”, podem aquecer comida ou fazer um telefonema de emergência.
O projeto partilha o nome do café “Le Carillon”, vítima dos ataques de Paris de Novembro de 2015.

Antes de ter começado oficialmente e de acordo com o seu criador, muitos comerciantes e lojistas locais queriam ajudar os seus vizinhos mais carenciados, numa cidade com um número muito elevado de cidadãos sem-abrigo, mas não sabiam como o fazer. Embora alguns estabelecimentos já abrissem as portas aos sem-abrigo, oferecendo-lhes café grátis e acesso às casas-de-banho, estes não tinham como distinguir entre um lugar que os acolheria e um que os rejeitaria.



Nos últimos 6 meses, o Le Carillon tem sido um sinal de alívio para quem tinha demasiada vergonha para solicitar comida ou outros serviços básicos. Mesmo assim, alguns ainda se sentem hesitantes. “Porque é uma loja e é necessário empurrar-se a porta para se entrar, muitos [sem-abrigo] ainda têm medo”, diz Louis-Xavier Leca. Uma empregada de mesa de um estabelecimento local aponta o caso de um homem que preferia ajudar no restaurante em troca de uma refeição.
Apesar do projeto dar as boas-vindas a todos, as lojas participantes têm o direito de recusar clientes que possam estar sob o efeito de drogas ou álcool.
“Se não se puderem comportar, os proprietários dir-lhes-ão para [saírem] e voltarem mais tarde”, explica o criador do projeto.

A relação entre as lojas e os cidadãos mais carenciados costuma, no entanto, ser cordial. De facto, de acordo com Leca, são os clientes habituais que têm encorajado a “clientela” sem-abrigo. Cidades e bairros vizinhos também têm demonstrado interesse no projeto, conta o CityLab. Louis-Xavier Leca já foi contactado por mais de 100 cidades francesas. Até setembro, ele espera que o seu projeto abranja mais 5 distritos de Paris, 5 cidades de França e, quem sabe, até a Bélgica e a cidade de Londres. Depois, afirma, o seu objetivo é levar a iniciativa até à América.
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