A Rainforest Trust quer criar uma reserva natural com cerca de 75000 ha na Indonésia para proteger os tigres, elefantes e outros animais.

Tigre de Sumatra

O único habitat capaz de acolher 5 das espécies mais criticamente ameaçadas de Sumatra poderá, brevemente, tornar-se numa enorme reserva natural privada.

A Rainforest Trust iniciou o processo de compra de cerca de 75000 ha de terra – a área aproximada de Nova Iorque – no norte de Sumatra, ou Samatra, na Indonésia. Esta área, que é propriedade de particulares e famílias, tem conseguido evitar os piores efeitos da desflorestação que tem devastado o resto da ilha, por causa do seu terreno austero e remoto. É também a casa de milhares de espécies únicas.

A organização está a recolher donativos para financiar o projeto, que custará cerca de 1,6 milhões de euros (cerca de 10€ por meio hectare).

Entre as espécies selvagens que seriam protegidas pela nova reserva, encontram-se o Rhinoplax Vigil, um pássaro também conhecido como calau-de-capacete, o tigre, o rinoceronte, o orangotango e o elefante de Sumatra.

O vizinho Parque Nacional de Gunung Leuser, engloba uma área com cerca de 800 000 ha, mas fica situada numa zona montanhosa inadequada para animais de grande porte como os orangotangos, os tigres e os elefantes. A nova reserva, que se chamará Reserva de Vida Selvagem de Kluet, ajudaria a preencher essa lacuna.

“Como acontece muitas vezes na conservação, os lugares íngremes e inabitáveis são deixados para a natureza, mas os lugares planos, onde as pessoas gostam de cultivar plantações, não costumam ser incluídos como áreas protegidas”, explica o diretor de conservação de biodiversidade da Rainforest Trust, Bert Harris. “Não se está apenas a salvar o rinoceronte”, afirma. “Está-se a salvar um ecossistema em funcionamento.”

A área projetada para a nova reserva é morada de pelo menos uma povoação e das quintas que a rodeiam, abrangendo cerca de 400 ha. Segundo Bert Harris, existem planos para se fazerem ofertas para comprar a terra aos habitantes e para os encorajar a reestabelecerem-se fora da floresta.

De acordo com Sophie Grigg, do organização que defende os direitos dos povos indígenas, Survival International, estes moradores ter-se-ão estabelecido recentemente na zona, o que significa que podem estar dispostos a aceitara oferta. Mas este nem sempre é o caso. “É mesmo muito comum vermos populações tribais que vivem em áreas que são declaradas reservas naturais serem expulsas e ficarem sob bastante pressão”, esclarece.

Como ornitólogo, Bert Harris demonstrou um particular entusiasmo com o potencial que a reserva de Kluet tem para preservar o calau-de-capacete, um pássaro cuja vocalização se assemelha ao riso humano. O seu bico de grande dimensão, que pode ser esculpido como o marfim, tem tornado esta ave num alvo para os caçadores furtivos, nos últimos anos. “É um dos pássaros mais impressionantes na Ásia”, diz o ornitólogo. “Têm-se tornado num alvo e [as suas populações] estão a decrescer muito rapidamente.” Em 2015, esta ave foi declarada como estando criticamente ameaçada.

Para além do objetivo de conservação, também serão realizadas pesquisas científicas e a monotorização da vida selvagem na reserva. A área será patrulhada por cerca de 30 pessoas para a proteger da caça furtiva e do abate de árvores ilegal.

Fonte: TakePart
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