A empresa The Real Co. vai lançar um selo de “Origem Única Verificada” para informar os consumidores de onde vêm e quem fez os seus alimentos.

Produtos com selo de Origem Única

A empresa The Real Co. vai lançar um novo selo de “Origem Única Verificada” para informar os consumidores exatamente de onde vem e quem fez os seus alimentos.

Quando Colin Carter, fundador da empresa The Real Co., abordou Malik Anwaar, um mineiro paquistanês que extrai sal rosa, com a proposta de lhe comprar grandes quantidades de sal, regularmente, a um preço mais elevado do que o do mercado local, foi recebido com incredulidade. Desde então, com a confiança ganha e depois de muitos fornecimentos, Malik tem conseguido fazer melhorias modestas no seu negócio, inclusive nas suas instalações de armazenamento, graças ao mercado estável e ao aumento de preços. E, de acordo com o CEO da Real Co., Belal El-Banna, a qualidade do sal é algo que o diferencia de outros. Segundo os mineiros de sal, a diferença reside no facto de a maioria das pessoas extraírem o sal com dinamite e máquinas de extração, o que mistura os sais, enquanto que Malik, com o conhecimento passado na sua família, através das gerações, consegue distinguir a diferença entre os sais. “A qualidade nota-se porque eles sabem muito sobre o seu produto”, diz o CEO da empresa.

É esta diferença que marca a filosofia da The Real Co., que vende bens como sal, açúcar e arroz de quintas e produtores individuais e que adiciona os seus nomes ao rótulo dos produtos, na esperança de fornecer um novo tipo de transparência e rastreabilidade aos consumidores. Isto significa que, se 3 quintas fornecem o mesmo tipo de arroz, a empresa vende esse arroz em 3 embalagens diferentes.
E consegue manter os seus preços competitivos. O modelo da empresa cortou os revendedores – o que beneficia tanto os produtores como os consumidores. Como resultado disto, The Real Co. pode vender sal rosa dos Himalaias, por exemplo, a um preço entre o de outro sal de alta qualidade de uma loja de produtos naturais e o preço habitual de um pacote de sal iodizado de supermercado.

Criar um Selo de Origem Única

Aumentar a transparência para melhorar o bem-estar dos agricultores e produtores de comida e das suas comunidades locais, para além da qualidade dos alimentos, é um modelo que Belal El-Banna e Colin Carter querem levar ao resto da indústria de comida.
Trabalhando com uma entidade certificadora, eles querem lançar um plano de certificação que permitirá a outras empresas colocar um selo de “Origem Única Verificada” (Single Origin Verified) nos seus produtos.

“A certificação de origem única vai além do comércio justo ou biológico. Fala não só de onde o produto vem, mas também informa se as quintas de onde provém têm um programa sustentável, se os produtos não são transgénicos, como são tratadas as pessoas nas quintas, e por aí adiante”, informa o CEO.
The Real Co. não é a única empresa a aumentar a transparência nos seus produtos e cadeias de fornecimento. Algumas empresas, como o One Degree Organics, têm códigos de barras nos seus artigos que, quando passados pelo leitor, informam os consumidores de onde vêm os ingredientes de cada alimento e outras têm aumentado a rastreabilidade dos seus produtos.
O modelo de origem única começou, até certo ponto, a substituir o comércio justo em empresas de café, chá e chocolate. De acordo com Eileen Rinaldi, proprietária de uma marca de café de São Francisco, a maior vantagem da proveniência única é a qualidade do produto e o contacto direto com os produtores.

Parto este sábado para El Salvador e vou trazer de volta sacos de café com os nomes dos meus produtores neles”, diz a empresária, explicando que isto se tornou uma fonte de orgulho para os agricultores. “Embora eles vivam em El Salvador e eu esteja a vender este café em São Francisco, eles sabem que algures, alguém está a ler o nome deles e a associar-lhes essa qualidade.
Para Eileen, o fator limitador é a dificuldade de se encontrarem produtores que se importem realmente com a qualidade dos seus produtos, acrescentando que só procura trabalhar com aqueles que planeiam ir melhorando a qualidade dos seus artigos, com o passar do tempo.

Questionada sobre se este modelo apelará aos consumidores fora do mundo do café, Eileen aponta o exemplo dos mercados de agricultores que têm ligado os consumidores aos seus produtores de comida. “Quero dizer, porque havíamos de nos importar com quem produz uma alface, mas não o nosso arroz?”, indaga.
De modo a receber a certificação de origem única, as empresas não precisam de seguir o modelo da The Real Co.. Diferentes níveis de certificação permitirão às empresas identificar de onde vêm todos os seus ingredientes, ou apenas alguns.

Para Belal El-Banna, não se trata apenas de mais um selo ou certificação. “Queremos que seja algo que parta de uma forte convicção de proporcionar aos consumidores transparência e visibilidade”, diz o empresário, concluindo que o sucesso da certificação não é tão importante como “as pessoas serem transparentes sobre a origem dos seus produtos”.

Fonte: Civil Eats

Sal de Origem Única
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