Um estudo realizado com 26 voluntários portugueses detetou a presença do glifosato em todos os casos, numa concentração média "20 vezes superior" à dos suíços e dos alemães.

Glifosato usado na agricultura

Um estudo realizado com 26 voluntários portugueses, das regiões Norte e Centro do País, detetou a presença do herbicida Glifosato - considerado "potencialmente cancerígeno" - na urina de todos os participantes, sendo que a concentração média foi de 26,2 mg/l por pessoa, cerca de "20 vezes superior" às que são encontradas, por exemplo, em cidadãos suíços e alemães.

As conclusões foram apresentadas na reportagem “Erva Daninha” da RTP1.

O glifosato é o herbicida mais vendido em Portugal. Este herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam o glifosato (como, por exemplo, a Bayer). É um herbicida total, não seletivo - o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta. Os OGM (transgénicos) são resistentes ao glifosato, o que quer dizer que uma plantação transgénica pode ser pulverizada com herbicidas sem que a cultura morra, só as ervas, o que se traduz nas altas concentrações de herbicidas nestes produtos (por exemplo, soja e milho). Estes transgénicos são por enquanto proibidos na Europa, mas há um transgénico que pode ser semeado: a variedade de milho MON 181. E Portugal é 1 dos 4 países que cultiva OGM na Europa.
Nos supermercados portugueses, os produtos OGM que estão nas prateleiras são: alguns óleos alimentares, uma farinha de milho, alguns produtos com farinha de milho e soja, uma maionese e bolachas.
Várias toneladas de milho e soja OGM entram todos os dias em Portugal e vão para as fábricas de rações. Mais de 90% da alimentação animal é feita com transgénicos. Rações estas que acabam, de certa forma, no prato dos portugueses que consomem carne.

A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou o glifosato durante um ano e 17 dos investigadores tomaram uma decisão unânime, classificaram o glifosato como potencialmente cancerígeno.

Espanha e França proibiram-no mas, por cá, a utilização em meio urbano é ainda generalizada. Pelo menos 87 autarquias portuguesas usam o glifosato, no controlo das plantas daninhas nos passeios, parques e jardins. Existindo algumas exceções como o caso da cidade do Porto que não usa glifosato para este controlo. Este herbicida que a Organização Mundial de Saúde considerou potencialmente cancerígeno é sobretudo usado na agricultura.

O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão da água e de alimentos ou da inalação.

Fontes: RTP1, DN e Económico

Gráfico dos níveis de glifosato nos portugueses
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