Segundo um estudo os consumidores éticos são pouco atraentes, aborrecidos e estranhos. Ou talvez não. Sabe o que é a teoria da comparação social?



Num estudo recente, os investigadores norte-americanos disponibilizaram-se a fornecer informações às pessoas antes de comprarem um par de jeans, mas disseram-lhes que só poderiam saber dois dos seguintes fatores: preço, estilo, cor e se práticas de trabalho infantil estavam envolvidas no seu fabrico. Às pessoas que escolheram não saber sobre o aspeto do trabalho infantil, foi-lhes pedido que descrevessem o tipo de pessoa que teria optado por o saber. Segundo elas, os consumidores éticos são pouco atraentes, aborrecidos e estranhos.

O que desencadeia esta reação? Chama-se teoria da comparação social, como explica o The Guardian.

Os consumidores anti-éticos sabiam que se deviam importar com o trabalho infantil, mas não queriam pensar sobre o assunto, por isso sentiram-se ameaçados por aqueles que o fizeram. E não, não são os consumidores éticos que são presunçosos e consequentemente aborrecidos.

Outra parte do estudo confirmou a teoria: quando deram às pessoas a oportunidade de fazerem um donativo para uma instituição de caridade sem custos para elas próprias, não sentiram a necessidade de rebaixar os outros. “Tinham tido a oportunidade de fortalecer a sua identidade ética”, explica a investigadora Rebecca Reczek. “[Por isso] não sentiram o mesmo tipo de ameaça.”

Seria bom pensar que fazer escolhas éticas inspiraria outros a fazer o mesmo. E é verdade que personalidades, como Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá, servem de inspiração. Mas isto deve-se, em parte, ao facto de que raramente nos comparamos com elas, uma vez que não passámos por experiências semelhantes. Por contraste, comportamentos virtuosos em pequena escala – do tipo que poderíamos imitar (se nos apetecesse) – desencadeiam sentimentos de comparação e de culpa. Isto faz com que se fique menos motivado para se ser virtuoso. Depois de terem etiquetado os consumidores éticos como sendo pessoas entediantes, os participantes no estudo sentiram-se menos incomodados com o trabalho infantil do que antes.

Isto vai muito além das compras. Quando se depara com qualquer afronta ética, há duas maneiras de fazer os seus sentimentos negativos desaparecerem. Uma delas é encarar a afronta; a outra é tentar não pensar nela. Pode lidar com o horror da pecuária industrial tornando-se vegetariano – ou evitando conviver com vegetarianos que insistam no assunto.

Fonte: The Guardian
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Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Não faz sentido acusar um consumidor ético como presunçoso; se se preocupa com a origem dos produtos é precisamente por não considerar-se superior a ninguém.

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    1. Olá Mel,
      Exato, quem não faz escolhas tão éticas sente-se intimidado por quem as faz e por isso tem que o desacreditar...
      Um abraço,
      Mab

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